- 74,3% dos brasileiros que não se exercitam gostariam de começar, mas apenas 34,3% mantêm rotina esportiva habitual.
- 47% dos adultos e 84% dos jovens não atingem a atividade física mínima recomendada pela OMS, contribuindo para cerca de 300 mil mortes anuais no país.
- O mercado fitness movimenta mais de R$ 12 bilhões por ano, com espaços de atividades físicas passando de 22 mil em 2015 para mais de 62 mil em 2025, sem reduzir o sedentarismo.
- Acesso à prática depende de renda: 31,9% entre quem recebe até um salário mínimo treinam, vs. 51,6% entre quem ganha mais de dez salários mínimos; distância e custo são obstáculos.
- Principais dificuldades: distância de locais adequados (28,6%), preço (12,5%), desconforto em academias (13,5%) e insegurança com uso de aparelhos (12,3%), com mulheres relatando acolhimento insuficiente.
O Brasil vive um descompasso entre a intenção de cuidar do corpo e a prática de se exercitar. Segundo o estudo Terra Insights, 74,3% das pessoas que não se exercitam desejam começar, mas apenas 34,3% mantêm uma rotina habitual. O motivo vai além da vontade.
A pesquisa aponta que a inatividade está ligada a desigualdades estruturais. Dados do IBGE, reproduzidos pelo Terra, indicam que 47% dos adultos e 84% dos jovens não atingem a atividade física mínima recomendada pela OMS. Resulta em cerca de 300 mil mortes anuais.
Paradoxo do mercado fitness
O Brasil abriga um mercado de fitness bilionário, acima de R$ 12 bilhões por ano, com o número de centros subindo de 22 mil (2015) para mais de 62 mil (2025). Mesmo assim, a atividade física da população não cresceu proporcionalmente.
O estudo mostra que o acesso ao cuidado com o corpo é, principalmente, uma questão socioeconômica. Famílias com renda de até um salário mínimo têm 31,9% de prática, enquanto quem ganha mais de dez salários mínimos atinge 51,6%.
Barreiras práticas e emocionais
Entre os obstáculos citados, a distância para locais de treino aparece como principal barreira (28,6%). O custo é impeditivo para 12,5%. Além disso, 13,5% não se sentem à vontade em academias, e 12,3% desejam treinar, mas não sabem usar os aparelhos.
A insegurança é mais expressiva entre as mulheres, que relatam menor acolhimento nos espaços de treino. O relatório também aponta que regiões e infraestrutura influenciam o comportamento.
Diferenças de gênero e mapas regionais
Homens tendem a buscar musculação e lutas, enquanto mulheres preferem aulas coletivas e dança, buscando pertencimento. Nordeste (40,8%) e Norte (38,2%) registram as maiores taxas de prática, acima do Sudeste (30,8%).
Quase 16% dos praticantes treinam fora de academia, em caminhadas, corridas e esportes abertos, revelando observar uma cultura de movimento além dos espaços formais.
O que vem pela frente
O estudo indica que o desejo de saúde está presente, mas precisa caber na rotina, no trajeto e no orçamento. A virada depende de reduzir o medo da academia e ampliar políticas públicas para espaços de movimento acessíveis e seguros.
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