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Antidepressivo encontrado no cérebro de tubarões no litoral do RJ

Sertralina é detectada no cérebro de tubarões-martelo no litoral do Rio, destacando falhas de saneamento e riscos ecológicos

Um dos tubarões-martelo analisados na pesquisa
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  • O Projeto EcoShark da UFRJ identificou sertralina no tecido cerebral de tubarões-martelo capturados na costa do Rio de Janeiro (Recreio, Barra da Tijuca e Copacabana), em estudo ainda não publicado oficialmente.
  • A sertralina é o ingrediente ativo do Zoloft; resíduos de antidepressivos chegam aos oceanos quando pessoas eliminam o medicamento pelo corpo e pelo esgoto, sem remoção completa pelas estações de tratamento.
  • No Rio de Janeiro, apenas cerca de quarenta e sete por cento do esgoto gerado é efetivamente tratado, e emissários submarinos liberam parte do efluente no mar, levando fármacos a peixes e outros animais.
  • Tubarões, por serem predadores de topo, acumulam contaminantes na cadeia alimentar; a sertralina pode alcançar o cérebro devido à Similaridade das vias de neurotransmissão, mas ainda não há confirmação de impactos comportamentais.
  • Além disso, estudo de março de 2026 na Bahamas mostrou presença de cocaína, cafeína e analgésicos em tubarões, fortalecendo a necessidade de monitorar fármacos e considerar ações de conservação, saneamento e ecotoxicologia marinha no Brasil.

O projeto EcoShark da UFRJ identificou sertralina, o princípio ativo de antidepressivos como o Zoloft, no tecido cerebral de tubarões-martelo encontrados na costa do Rio de Janeiro. A descoberta ocorreu durante estudo ainda não publicado, com participação de pesquisadores da UFRJ desde 2018.

Tubarões foram capturados acidentalmente em redes de pesca no Recreio, Barra da Tijuca e Copacabana, em parceria entre pescadores e cientistas. Animais são predadores de topo e tendem a bioacumular substâncias da água e da cadeia alimentar.

A sertralina é o antidepressivo mais utilizado no Brasil. Dados apontam crescimento de 11% nas vendas de antidepressivos e estabilizadores em 2025, e aumento de 18,6% no uso de medicamentos para saúde mental entre 2022 e 2024.

O caminho até o cérebro do tubarão envolve a passagem pelo sistema de esgoto. Em rios do estado do Rio, apenas cerca de 47% do esgoto é tratado, segundo o SNIS, e emissários submarinos liberam resíduos farmacêuticos na água costeira.

Em tubarões, resíduos se acumulam especialmente no fígado, mas a sertralina também alcança o cérebro. A semelhança do sistema serotoninérgico entre vertebrados sustenta a hipótese de interação com proteínas animais, ainda sem evidência de efeito comportamental confirmado.

Casos semelhantes aparecem em outros mares: estudo de 2026 na ilha Eleuthera, Bahamas, detectou cocaína, cafeína e analgésicos em 28 de 85 tubarões, sugerindo que substâncias são comuns em zonas costeiras com poluição. Pesquisas brasileiras acompanham essas evidências.

A pergunta central permanece: quais impactos crônicos ocorrem em tubarões expostos a fármacos nas áreas poluídas? Laboratórios já mostram efeitos em peixes como zebrafish, mas a reação de elasmobrânquios ainda não é conhecida de forma conclusiva.

Além da pesquisa, o texto aponta três crises conectadas: saúde mental, saneamento básico e conservação dos tubarões-martelo. O texto ressalta a necessidade de monitoramento ambiental de fármacos em espécies marinhas.

Entre as ações propostas, constam: ampliar protocolos de rastreamento de fármacos em tubarões, raias e cetáceos; modernizar estações de tratamento de esgoto para remover micropoluentes; e ampliar o financiamento à ecotoxicologia marinha. O estudo foi financiado pelo PIBIC-UFRJ, Capes e Faperj.

Fontes citadas são pesquisadores da UFRJ envolvidos no EcoShark, com apoio institucional. O material reforça a importância de políticas públicas que tratem medicamentos como poluentes emergentes, para a preservação da biodiversidade costeira.

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