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Cofre enterrado na Antártida guarda segredos do clima global

Arquivo de gelo armazenado a -52°c perto da Estação Concordia preserva registros climáticos ameaçados pelo aquecimento global

Um cofre na Antártida está sendo usado para preservar amostras de gelo retiradas de geleiras centenárias ao redor do mundo que estão derretendo devido às mudanças climáticas
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  • Um cofre natural de gelo, escavado perto da Estação de Pesquisa Concordia, na Antártida, guarda núcleos de gelo de geleiras ameaçadas a -52 °C, sem refrigeração artificial.
  • O projeto Ice Memory Foundation visa preservar amostras de vinte geleiras ao redor do mundo, com dez já perfuradas em áreas como Alpes, Andes e Pamir.
  • As bolhas de ar aprisionadas no gelo contêm histórico atmosférico; cientistas destacam que o CO₂ atual está entre trinta e cinco por cento mais alto do que em qualquer ponto nos últimos oitocentos mil anos.
  • A caverna, criada a dez metros abaixo da superfície, funciona como um cofre natural, mantendo temperatura estável para conservar os núcleos de gelo a longo prazo.
  • Observações indicam que muitas geleiras já sofrem perdas rápidas, com projeção de que até noventa por cento das geleiras de baixa altitude possam desaparecer até o fim do século em cenários de altas emissões.

Sob o planalto da Antártida, um arquivo de memória climática da Terra fica guardado em uma caverna de neve. Núcleos de gelo de geleiras ameaçadas são armazenados a -52 °C perto da Estação Concordia, sem refrigeração externa, para preservar dados históricos do clima.

O projeto é conduzido pela Ice Memory Foundation. A ideia é conservar informações ambientais de geleiras em risco antes que o aquecimento as elimine, como parte de um esforço internacional para manter registros ambientais úteis para o presente e o futuro.

Thomas Stocker, presidente da fundação, afirma que não é possível salvar a geleira inteira, mas as informações contidas no gelo podem ser preservadas. As bolhas de ar aprisionadas permitem reconstruir concentrações históricas de gases de efeito estufa.

Coletando os núcleos

A extração e o transporte das amostras exigem planejamento para evitar contaminação. Núcleos de gelo são perfurados em camadas, com radares que identificam zonas estáveis, onde as camadas permanecem intactas ao longo do tempo.

Especialistas destacam que o registro climático varia localmente, incorporando dados sobre incêndios, poluição e padrões de monções. Equipes já perfuram geleiras na Europa, América do Sul e Ásia para compor o arquivo global.

A caverna, localizada próxima à Concordia, oferece preservação natural. O espaço acaba por funcionar como um cofre subterrâneo, com temperaturas estáveis que protegem os núcleos de gelo por séculos.

Caverna de gelo

A Antártida central oferece condições de estabilidade térmica. A caverna tem cerca de 60 metros de extensão e foi criada ao inserir um balão para moldar o espaço sob a neve compacta.

Ao todo, nove geleiras já fornecem amostras para o arquivo, incluindo vertentes dos Alpes, dos Andes e do Pamir. Cada núcleo é etiquetado e armazenado em recipientes isolados para evitar contaminação.

Pesquisadores ressaltam que os núcleos contêm informações globais e locais sobre clima, incêndios e hidrologia. Eles destacam que muitos registros disponíveis hoje já podem desaparecer se não forem preservados.

Stocker aponta ainda que geleiras da Suíça perderam parte expressiva de seu volume, e que até o final do século muitas geleiras de baixa altitude podem desaparecer sob cenários de altas emissões. A preservação busca reduzir esse risco de perda de dados.

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