- No Brasil, a maioria dos que envelhecem tem mais de sessenta e cinco anos, grupo cujo tamanho cresceu de cerca de vinte milhões em 2010 para aproximadamente vinte e dois milhões em dois mil e vinte e dois.
- O índice de envelhecimento subiu de trinta por cento em dois mil e dez para cinquenta e cinco por cento em dois mil e vinte e dois, mostra mudança na pirâmide etária.
- A transformação demográfica ocorre mais rapidamente no Brasil do que em muitos países ricos, com base que se expandiu desde os anos noventa.
- No setor da saúde, mais da metade dos atendimentos do Sistema Único de Saúde envolve doenças crônicas; hipertensão, diabetes e obesidade são comuns, aumentando a demanda por cuidado permanente.
- As demências são citadas como o maior desafio do envelhecimento, pois exigem cuidados constantes de familiares, muitas vezes sem apoio adequado; exemplo: Joana, que cuida da mãe com demência e acabou presa por maus-tratos após situações de vulnerabilidade.
O Brasil vive um envelhecimento acelerado. Em 2022, a população com 65 anos ou mais já somava cerca de 22 milhões, frente a 20 milhões em 2010. O índice de envelhecimento subiu de 30% para 55% entre 2010 e 2022, segundo dados demográficos nacionais.
A pirâmide etária vem se invertendo. Com queda na fecundidade, a base se estreita e o topo se amplia, mudando o padrão de crescimento demográfico. Diferentemente de países desenvolvidos, as mudanças ocorrem em um tempo mais curto no Brasil.
Essa transição traz impactos na sociedade, na Previdência e na saúde. Hoje, grande parte dos atendimentos no SUS envolvem doenças crônicas, vinculadas a hipertensão, diabetes e obesidade. O sistema público não foi dimensionado para esse cenário.
O desafio das demências
Entre os problemas do envelhecimento, as demências se destacam pela gravidade para famílias e cuidadores. Quando surge a incapacidade de realizar atividades diárias, a responsabilidade recai sobre pessoas próximas, em especial mulheres que interrompem carreira e vida pessoal.
Relatos de especialistas indicam que o país ainda carece de rede de apoio robusta para cuidadores e de estratégias públicas para o manejo dessas condições. A falta de serviços especializados agrava o desgaste diário de famílias.
Joana foi a última paciente atendida naquele dia na Penitenciária Feminina de São Paulo. Ela acompanhava a mãe, moradora da região de Guaianases, que enfrentava demência e dependência para atividades simples.
A mãe de Joana costumava sair para o trabalho da filha, que iniciava o dia cedo e voltava ao fim da tarde. O avanço da demência deixava a mãe insegura na rua, aumentando a necessidade de busca por auxílio na vizinhança.
Para manter as duas, Joana alugou uma corda para amarrar a mãe em momentos de locomoção, permitindo deslocamentos limitados dentro do entorno familiar. Em casa, ela organizava refeições e cuidados, conciliando trabalho com cuidado diário.
Um vizinho fez denúncia, e Joana foi presa por maus-tratos. Internada na ala do seguro, ela relatou, de forma resignada, que acabou “parando na cadeia da cadeia”, numa situação que expõe o peso do cuidado não assistido.
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