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O oceano nos protegeu do pior da crise climática; agora está em febre

O oceano esquenta rapidamente, com ondas de calor marinhas cada vez mais frequentes, enquanto cortes em monitoramento ameaçam acompanhar o problema

‘This is what troubles me most: the very ability of scientists and policymakers to track these changes is now under threat.’ Photograph: University of Cambridge/AFP/Getty Images
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  • Em 2025, os dias de ondas de calor marinhas foram mais de três vezes maiores do que no início dos anos noventa, sinalizando mares cada vez mais quentes.
  • O oceano tem absorvido mais de 90% do calor excedente preso pela atividade humana, atuando como um amortecedor, mas o aquecimento gradual já começa a causar danos.
  • O desequilíbrio de energia da Terra — diferença entre o que recebemos do sol e o que o planeta devolve ao espaço — mais que dobrou desde o fim do século passado, impulsionado por emissões de gases de efeito estufa e feedbacks climáticos.
  • A temperatura global já subiu aproximadamente 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, refletindo o avanço do aquecimento humano.
  • Em 2025, o nível do mar subiu 23 centímetros desde 1901, aumentando enchentes em áreas costeiras e elevando a água de mar em tempestades.
  • A reportagem alerta que a capacidade de monitorar o oceano e o desequilíbrio de energia está sob ameaça, com fechamento de quatro de cinco pontos de monitoramento no Pacífico e no Atlântico.

O oceano está pegando fogo. Em 2025, o número de dias de ondas de calor marinhas triplicou em relação aos anos 1990, segundo o relatório IGCC. O fenômeno eleva a temperatura da água, prejudica recifes e ecossistemas costeiros e pressiona comunidades dependentes do mar.

Segundo especialistas, essas ondas de calor intensas desvia nutrientes, afeta áreas de pesca e pode alterar a química oceânica, com impactos diretos em oxigênio, acidez e carbono. O efeito é sentido na vida marinha e nas economias que vivem do oceano.

O relatório IGCC reúne mais de 70 pesquisadores de 50 instituições, com dados de anos entre o último vasto levantamento da ONU, previsto para 2028. O objetivo é traçar um retrato anual do sistema climático.

A tendência da energia do planeta

A chave de leitura é o desequilíbrio de energia da Terra: a entrada de energia solar supera a que o planeta consegue emitir ao espaço. Em parte, gases de efeito estufa intensificam esse efeito, mas não explicam tudo.

Ao reduzir a poluição histórica, a Terra perde parte de uma névoa refletiva que ajudava a resfriar o planeta. Com menos reflexão, o aquecimento se acelera, amplificado por feedbacks climáticos como mudanças na cobertura de gelo, nuvens e solos.

O resultado é um aquecimento global mais rápido, com impactos visíveis na temperatura, no derretimento de gelo, em eventos extremos e nas ondas de calor marinhas.

Impactos observados e próximos efeitos

Estimativas situam o aquecimento induzido pelo homem em cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais. O nível do mar subiu mais do que o dobro nas últimas décadas, acelerando vazantes para áreas costeiras baixas desde 1901, com marcas registradas em 2025: aumento de 23 cm.

Esses progressos elevam riscos de inundações, deslocamento de comunidades costeiras e alterações na disponibilidade de alimentos. O estudo ressalta que, sem mudança rápida, os impactos se intensificam.

Desafios para monitoramento e ação

O relatório alerta que a capacidade de acompanhar mudanças está sob ameaça. Quatro de cinco polos de monitoramento no Pacífico e no Atlântico serão fechados, com equipamentos sendo retirados das águas. Cortes de financiamento comprometem dados cruciais.

Não obstante, o IGCC destaca que cidadãos, empresas e governos ainda dispõem de ferramentas para reduzir o desequilíbrio. A melhoria na gestão, políticas públicas e investimentos em ciência podem atenuar impactos.

Karina Von Schuckmann, autora do IGCC e assessora sênior da Mercator Ocean International, reforça a necessidade de manter a observação climática. O estudo afirma que ações coordenadas podem atenuar a trajetória de aquecimento.

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