- Brasil registrou 120 mil mortes associadas a ondas de calor entre 2000 e 2019, o que representa 0,6% da mortalidade total no período.
- Destas, 97 mil óbitos foram de pessoas com 65 anos ou mais; 58 mil (48,3%) ocorreram por doenças cardiovasculares e respiratórias.
- Ondas de calor foram mais frequentes e duradouras no Norte e Centro-Oeste, com maior intensidade no Sul e no Sudeste.
- Grupos vulneráveis incluem idosos, mulheres e pessoas com baixa escolaridade, que têm maior risco de óbito e de internação relacionada ao calor.
- Recomendação: reconhecer o calor extremo como risco à saúde, ampliar monitoramento e fortalecer a atenção primária; cidade do Rio de Janeiro serve de exemplo em alerta e integração de dados.
O Brasil registrou 120 mil mortes associadas a ondas de calor entre 2000 e 2019, o que representa 0,6% da mortalidade total no período. A análise foi realizada pela Fiocruz em parceria com a UFBA, com apoio de ministérios.
Foram utilizadas informações de mortalidade de 5.566 municípios, por meio do DataSUS, para mapear frequência, intensidade e duração das ondas de calor e seus impactos em hospitalizações e óbitos.
A maior parte das mortes ocorreu entre pessoas com 65 anos ou mais, totalizando 97 mil óbitos. O estudo também aponta 58 mil óbitos por doenças cardiovasculares e respiratórias.
Dados do estudo
A incidência de ondas de calor ficou mais alta no Norte e Centro-Oeste, com episódios mais prolongados, enquanto os picos de intensidade ocorreram no Sul e Sudeste. A pesquisa analisa ainda impactos por faixa etária, sexo e escolaridade.
Segundo Beatriz Oliveira, da Fiocruz, a mortalidade por calor não é igual para todos; quanto maior a escolaridade, menor o risco de óbito. Grupos com menor escolaridade enfrentam maior vulnerabilidade por condições de moradia, transporte e acesso à saúde.
Implicações e medidas
O estudo indica necessidade de ações de adaptação e proteção aos grupos vulneráveis, incluindo idosos, mulheres e pessoas com baixa escolaridade. Especialistas defendem ampliar monitoramento, alerta precoce e integração de dados entre meteorologia e saúde.
Para a pesquisadora, o Rio de Janeiro já demonstrou como um sistema de alerta ao calor, comunicação com a população e integração de dados podem melhorar a resposta. A atenção primária é apontada como linha de frente para reduzir impactos.
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