- O calor no Reino Unido favorece a presença do mosquito Culex pipiens na Escócia, vetor do vírus Usutu.
- O vírus Usutu foi identificado pela primeira vez na Escócia em abril e já causa mortes de aves na ilha de Arran.
- Em Arran, no verão de 2025, melros debilitados e morrendo foram associados ao vírus, transmitido por picadas de mosquitos.
- Cientistas da Universidade de Glasgow dizem que a proliferação de mosquitos está ligada às mudanças climáticas; 2025 registrou o verão mais quente da história do país, com 32,2°C em julho.
- O risco de transmissão para humanos, conforme estudo de 2024, é limitado a 235 casos; pesquisadores alertam sobre a possibilidade de surgirem doenças mais graves em outras regiões da Europa.
O calor excessivo na Escócia tem favorecido a presença do mosquito Culex pipiens, vetor do vírus Usutu no país. A doença, identificada pela primeira vez em abril, já provocou mortes de aves na ilha de Arran e envolve pesquisas conduzidas pela Universidade de Glasgow.
Estudiosos explicam que a relação entre temperaturas mais altas e a proliferação de mosquitos aumenta o risco de transmissão. A equipe ressalta que o Usutu circula na Europa desde os anos 2000, mas só agora atinge regiões mais ao norte com o aquecimento global.
Apenas entre junho e setembro de 2025, moradores de Arran relataram aves melros com sinais de debilitamento, desorientação e dificuldade de alimentação, morrendo após apresentar os sintomas. Exames veterinários confirmaram a presença do vírus.
Calor facilita a transmissão
A primeira conclusão dos pesquisadores é de que temperaturas elevadas ampliam a capacidade de transmissão. Em climas frios, a transmissão de doenças por mosquitos é inviável, mas o aquecimento altera esse equilíbrio.
A cientista Heather Ferguson, da Universidade de Glasgow, aponta que as mudanças climáticas aceleraram o ritmo dessas transformações, elevando o risco de surgimento de doenças vetoras na região.
Riscos para aves e humanos
O Usutu já causou mortalidade de aves em várias regiões europeias, incluindo corujas e aves de rapina. Embora o risco direto de infecção humana ainda seja baixo, estudos indicam possibilidade de casos esporádicos, com número limitado de ocorrências.
Pesquisadores de Glasgow realizam testes laboratoriais para entender os mecanismos de transmissão entre mosquitos, animais e humanos, com foco em medidas de prevenção e vigilância.
O que vem a seguir
O vírus já foi detectado em mosquitos britânicos em maio de 2025, segundo as pesquisas. Observa-se que a disseminação pode alcançar outras áreas com elevações iguais ou superiores, ampliando a área de monitoramento.
Autoridades científicas ressaltam a necessidade de preparação e estratégias de controle de mosquitos para reduzir riscos à fauna local e, eventual e remotamente, à saúde pública.
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