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Criadora da Coronavac anuncia plano de US$ 100 milhões para atuar no Brasil

Sinovac anuncia investimento de US$ 100 milhões no Brasil para operação de biotecnologia, com fábrica prevista no interior de São Paulo

Flavia Lima entrevista Dimas Covas, cientista-chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Sinovac no Brasil
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  • Sinovac planeja investir US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões) no Brasil nos próximos cinco anos, para criação de operação local de produção de vacinas e biotecnologia.
  • O acordo com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) prevê a produção de duas vacinas no Brasil — contra raiva humana e varicela — com importação inicial, em transição gradual de fabricação nacional.
  • A transferência de tecnologia já está em andamento e deve ficar pronta em até dez anos, conforme o PDP (parceria). A velocidade pode variar conforme investimentos públicos e parcerias.
  • A Sinovac avalia instalar fábrica no interior de São Paulo, com opções em Ribeirão Preto e Campinas. O Brasil é visto como peça central na estratégia regional da empresa, chamada Projeto Amazon.
  • A companhia destaca a importância de IA no desenvolvimento de novos produtos e defende que o Brasil precisa melhorar a coordenação entre ciência, indústria e saúde para ampliar a inovação.

A Sinovac, empresa chinesa responsável pela Coronavac, anunciou um plano de investimento de US$ 100 milhões no Brasil para os próximos cinco anos. O objetivo é criar uma operação local que envolva produção de vacinas e atividades de biotecnologia no país. A iniciativa foi comunicada pelo chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da companhia no Brasil.

A empresa pretende instalar uma fábrica no interior de São Paulo, com opções entre Ribeirão Preto e Campinas. O movimento faz parte de uma estratégia maior da Sinovac para ampliar presença na América Latina, chamada Projeto Amazon, que já envolve acordos na Colômbia e avanços com Chile e Argentina.

Segundo Dimas Covas, cientista-chefe da Sinovac no Brasil, o plano inclui também o desenvolvimento de duas vacinas no Brasil, em parceria com o Tecpar, o Instituto de Tecnologia do Paraná. Inicialmente haverá importação, enquanto o Tecpar assume gradualmente a produção após a transferência de tecnologia.

O acordo com o Tecpar prevê investimentos em infraestrutura e pessoal por parte do instituto, com a Sinovac fornecendo know-how técnico. O objetivo é que o Brasil assuma a produção de vacinas contra raiva humana e varicela, a partir de uma capacidade já existente do Tecpar, que hoje produz vacinas para uso animal.

Covas afirmou que a transferência de tecnologia deve ser concluída em até dez anos, dependendo de parcerias e investimentos governamentais. A Sinovac reforça que a presença local pode acelerar o desenvolvimento de produtos de biotecnologia no país.

Sobre o cenário de inovação, Covas elogiou o papel da China na biotecnologia, lembrando que a estratégia de Estado, iniciada há décadas, sustenta o impulso do setor. Ao Brasil, ele aponta a necessidade de melhorar a ligação entre ciência, indústria e governo para ampliar a capacidade produtiva.

O executivo também comentou o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de novos produtos, destacando que tecnologias emergentes podem acelerar protótipos de vacinas. Segundo ele, é essencial que o Brasil acompanhe esse movimento para evitar perder competitividade.

Ao analisar o ambiente público de ciência e tecnologia, Covas criticou o que chamou de uma experiência ainda medieval, parafraseando a percepção de dificuldades de transformar produção científica em soluções para a população. Ele ressaltou a importância de coordenação entre ministérios e setor privado.

Covas rejeitou críticas anteriores à adoção da Coronavac e ao projeto ButanVac, argumentando que a Coronavac foi decisiva em um momento de escassez global de imunizantes. Ele afirmou ainda que a ButanVac serviu como lição para futuras vacinas nacionais.

No âmbito institucional, Covas é professor aposentado da USP e lidera o Butantan desde 2017. Ele afirmou que houve processos administrativos arquivados relacionados a contratos do instituto e que o tema continua em monitoramento, sem implicações diretas para a nova parceria com a Sinovac.

Questionado sobre resistência ideológica a investimentos de uma empresa chinesa na saúde brasileira, Covas disse não ver grandes obstáculos no momento, destacando a importância de aprender com experiências asiáticas e manter uma postura aberta a parcerias internacionais.

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