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Estereótipos raciais moldam identidade de mulheres negras, diz pesquisa da USP

Pesquisa da USP aponta que estereótipos raciais moldam a identidade de mulheres negras e afetam a autoestima desde a infância, com racismo cotidiano

Estudo mostra que o racismo atua de maneira cotidiana e estrutural – Foto: Abraham George Creations/Pexels
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  • Pesquisa da USP, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, aponta que estereótipos raciais influenciam a construção da identidade de mulheres negras desde a infância.
  • A dissertação de mestrado, chamada O que nós se vê: estereótipos raciais e a construção da subjetividade das mulheres negras brasileiras, foi realizada por Valerya Elizabeth Borges da Silva.
  • O estudo mostra racismo cotidiano e estrutural, com imagens associadas a mulheres negras — como mucama, mãe preta, empregada doméstica e negra guerreira — que moldam a percepção de si.
  • A pesquisa analisou mais de quarenta respostas de um questionário com mulheres negras de várias idades, indicando impactos na autoestima, nas relações e nas oportunidades.
  • O trabalho também discute o padrão colonial e eurocêntrico de beleza, a ideia de embranquecimento da beleza e a importância das redes de apoio entre mulheres para fortalecer a identidade e a autoestima, termo gerado pela pesquisadora: reexistência.

A pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP revela que estereótipos raciais influenciam a construção da identidade de mulheres negras no Brasil. O estudo, elaborado pela pesquisadora Valerya Elizabeth Borges da Silva, analisa como esses rótulos afetam autoestima, relações e trajetórias desde a infância. O trabalho é orientado pela professora Maria Angélica Souza Ribeiro, dentro do PPG em Humanidades, Direitos e outras Legitimidades.

A dissertação, intitulada O que nós se vê: estereótipos raciais e a construção da subjetividade das mulheres negras brasileiras, aponta que o racismo ocorre tanto em episódios explícitos quanto de forma cotidiana e estrutural. Os estereótipos históricos, como mucama, mãe preta, empregada doméstica e a negra guerreira, são identificados como entraves à expressão da individualidade e à imagem que as próprias mulheres constroem de si.

A pesquisadora analisou mais de 40 respostas de um questionário com mulheres negras de diferentes idades e origens. Os resultados indicam que, desde a infância, essas meninas recebem imagens que limitam oportunidades e moldam reações a acontecimentos futuros, distorcendo a visão de si mesmas e impactando autoestima, relações afetivas e oportunidades profissionais.

Segundo Valerya, o padrão colonial e eurocêntrico de beleza sustenta percepções que promovem embranquecimento da ideia de beleza e de valor social. A pesquisadora dialoga com Lélia Gonzalez ao apontar que esse modelo internaliza o desejo de embranquecer a própria raça, dificultando o reconhecimento da identidade cultural.

As redes de apoio entre mulheres aparecem como fator central na construção da identidade. Estar em contato com outras que enfrentam o mesmo fenômeno favorece o autoconhecimento e cria um ambiente seguro para fortalecer a autoestima. A autora batizou esse movimento de reexistência, definido como a capacidade de resistir e reinventar a própria existência diante de estigmas históricos.

Para a pesquisadora, registrar o problema social e entender como as mulheres negras sobrevivem a partir dele é crucial, bem como fortalecer redes de apoio e vislumbrar futuros possíveis. Imaginar, afirma, não é luxo nem exercício especulativo, mas gesto político fundamental para a própria vida.

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