- Um estudo publicado em 15 de abril na revista Psychological Science avaliou 48 grandes símios de quatro espécies (bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos) em seis testes cognitivos ao longo de um ano e meio.
- As diferenças entre indivíduos permaneceram relativamente estáveis, sugerindo que, como em humanos, a cognição dos grandes símios tem componentes estáveis ao longo do tempo.
- Habilidades cognitivas variam conforme personalidade, experiência de vida, grupo de pertença, sexo e criação dos animais, servindo como fortes preditores de desempenho.
- Desempenhos em tarefas que dependem de pistas sociais não se correlacionaram entre si, enquanto a maior parte das tarefas não sociais mostrou forte correlação entre si.
- Os resultados destacam a necessidade de estudos longitudinais com os mesmos indivíduos e de aperfeiçoar métodos de mensuração cognitiva em grandes símios, para entender como a cognição se desenvolve nesses primatas e como difere da humana.
O estudo, publicado em 15 de abril na revista Psychological Science, analisa como grandes símios pensam de formas distintas, assim como humanos. A pesquisa ampliou o tema iniciado em 2023 pela equipe do psicólogo de desenvolvimento Manuel Bohn, da Universidade Leuphana, na Alemanha.
Foram avaliadas variações de habilidades cognitivas entre bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos, com 48 indivíduos de diferentes idades e sexos. Ao longo de um ano e meio, eles passaram por seis tarefas que mediam atenção a humanos, comunicação e memória de busca, entre outros componentes.
Metodologia e participantes
Os testes exploraram cognição social, raciocínio e função executiva. As tarefas foram padronizadas para permitir comparar desempenho entre espécies e entre indivíduos, considerando fatores como experiência prévia em pesquisas, grupo, sexo e criação.
A variação individual mostrou-se relativamente estável em grande parte das tarefas. Os resultados sugerem que, assim como em humanos, a cognição dos grandes símios é moldada por trajetórias de desenvolvimento e experiências de vida distintas.
Implicações e contexto
Os resultados indicam que pistas sociais não correlacionaram entre si, ou seja, desempenho em uma tarefa baseada em atenção não previa o desempenho em outra. Em contrapartida, tarefas não sociais apresentaram maior consistência entre si.
A pesquisa ressalta a necessidade de estudos de longo prazo que acompanhem os mesmos indivíduos ao longo da vida. Os autores defendem aprimorar métodos de avaliação das capacidades cognitivas dos primatas para entender melhor como a cognição evoluiu em diferentes espécies.
Esses achados ajudam a compreender as diferenças entre a cognição de grandes símios e a humana, ao questionar a existência de padrões cognitivos humanos como referência única. O estudo propõe explorar outras estruturas de cognição que podem explicar a diversidade entre espécies.
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