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Mortes por álcool no trânsito caem quase 20%, mas tendência não se mantém

Embora haja queda de mortes por álcool no trânsito desde 2010, o total subiu em 2024, com internações em alta e crescimento de ocorrências envolvendo motocicletas

Mortes por álcool no trânsito têm queda de quase 20%, mas trajetória de queda não é mantida — Foto: Adobe Stock
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  • Em 2024, foram registradas 13.075 mortes no trânsito associadas ao consumo de álcool, alta de 6,2% em relação a 2023.
  • A taxa de mortes por álcool no trânsito caiu 19,5% entre 2010 e 2024, mas o ritmo de queda desacelerou e o número absoluto voltou a crescer.
  • Em 2025, houve 102.440 internações ligadas a álcool e direção, 1,9% a mais que no ano anterior.
  • Homens responderam por 86,7% das mortes e 81,8% das internações associadas, indicando concentração de vulnerabilidade nesse grupo.
  • Tocantins, Piauí e Mato Grosso apresentaram as maiores taxas de mortalidade por álcool; Espírito Santo, Pará e Acre lideraram as internações, sinalizando variações regionais.

Mortes por álcool ao volante caem quase 20% desde 2010, mas em 2024 o total voltou a subir. Ao todo, foram 13.075 óbitos relacionados ao consumo de bebida alcoólica na direção, segundo o CISA, divulgado perto do Dia Nacional da Lei Seca.

A taxa de mortalidade associada ao álcool no trânsito caiu 19,5% entre 2010 e 2024. No entanto, o ritmo de queda desacelerou nos últimos anos, e o número absoluto de mortes cresceu em 2024 na comparação com 2023.

Além das mortes, as internações ligadas a acidentes com álcool também cresceram. Em 2025, foram registradas 102.440 hospitalizações, alta de 1,9% frente ao ano anterior.

O que significa a Lei Seca

Criada em 2008, a Lei Seca estabeleceu tolerância zero para motoristas alcoolizados. O Brasil registrou, desde então, redução na mortalidade por álcool no trânsito, mas especialistas destacam que a legislação sozinha não basta para manter a queda.

O estudo do CISA aponta que a desaceleração ocorre mesmo com a lei vigente e com fiscalização já consolidada em muitas áreas. O aumento da frota, especialmente de motocicletas, é apontado como desafio adicional.

Quem sofre mais e o que é feito

Os dados apontam que homens continuam concentrando a maioria das vítimas. Em 2024, responderam por 86,7% das mortes e 81,8% das internações associadas ao álcool no trânsito.

Mariana Thibes, coordenadora do CISA, ressalta que a Lei Seca é eficaz, mas requer ações complementares. Entre as medidas estão acionamento de fiscalização, melhoria do atendimento de emergência e campanhas direcionadas.

Desafios do destino das motocicletas

O crescimento de acidentes envolvendo motocicletas aumenta a dificuldade de reduzir as mortes ligadas ao álcool. A frota em expansão e operações de bafômetros com maior regularidade são citadas como essenciais para intensificar a fiscalização.

O IPEA aponta que 40% das mortes no trânsito em 2023 ocorreram entre motociclistas, com ou sem relação com álcool. Especialistas defendem planejamento e uso de inteligência para mapear áreas de maior risco.

Variações regionais

A análise mostra discrepâncias entre estados. 18 unidades da federação tiveram taxa de mortes por álcool acima da média nacional. Tocantins, Piauí e Mato Grosso apresentaram os maiores índices de mortalidade por 100 mil habitantes.

Entre as internações, 16 estados ficaram acima da média. Espírito Santo, Pará e Acre tiveram as maiores taxas.

O que dizem os pesquisadores

Um estudo internacional, publicado em 2026, reforça que reduzir limites de álcool é importante, mas insuficiente sem fiscalização constante e acesso rápido a atendimento de emergência. Medidas complementares produzem reduções mais duradouras.

Thibes reforça que leis rigorosas devem andar junto com ações de prevenção direcionadas aos grupos de maior risco, especialmente o público masculino.

Como o levantamento foi feito

O CISA utilizou dados do SIM e do Datasus, aplicando o Fator Atribuível ao Álcool (FAA), método OMS para estimar a participação do álcool em acidentes. As taxas por 100 mil habitantes consideraram estimativas populacionais do IBGE.

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