Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

NASA identifica possível caso de supernovas irmãs na Via Láctea

Com 16 anos de dados da missão Fermi, a Nasa aponta dois remanescentes de supernova na constelação de Gêmeos que teriam explodido em épocas distintas

Esta imagem em múltiplas faixas de comprimento de onda mostra o remanescente de supernova da Nebulosa da Água-viva - (crédito: Divulgação/Nasa )
0:00
Carregando...
0:00
  • Astrônomos da NASA apresentaram fortes evidências de um possível caso inédito na Via Láctea: dois remanescentes de supernova teriam sido produzidos por estrelas irmãs de um sistema binário.
  • A hipótese foi apresentada na 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Pasadena, e será publicada na revista Nature Communications.
  • A análise utilizou 16 anos de dados do telescópio espacial de raios gama Fermi, estudando os remanescentes IC 443 (Nebulosa da Água-viva) e G189.6+3.3, localizados na constelação de Gêmeos, a cerca de seis mil anos-luz da Terra.
  • Os centros das explosões estariam separados por aproximadamente quarenta anos-luz; as idades estimadas dos remanescentes variam de oito a nove mil anos para a Nebulosa da Água-viva e de vinte mil a cento e dez mil anos para o segundo remanescente, indicando intervalo de até cem mil anos entre as explosões.
  • Simulações envolvendo cerca de um milhão de sistemas binários massivos indicaram que trocas de matéria durante a evolução podem produzir explosões duplas com características semelhantes, e a chance de alinhamento apenas por coincidência é inferior a um por cento.

A NASA anunciou evidências fortes de um fenômeno possivelmente inédito na Via Láctea: dois remanescentes de supernova originados de estrelas irmãs em um mesmo sistema binário. A análise baseia-se em 16 anos de dados da missão Fermi, observando dois remanescentes na constelação de Gêmeos, a cerca de 6 mil anos-luz da Terra. O estudo foi apresentado durante a 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Pasadena, entre 14 e 18 de junho, e será publicado na Nature Communications.

Os remanescentes correspondem à Nebulosa da Água-viva (IC 443) e a G189.6+3.3. A hipótese sustenta que a estrela que originou o remanente mais antigo explodiu primeiro, lançando sua companheira pelo espaço. Milhares de anos depois, a segunda estrela também explodiu, gerando o segundo remanente que persiste até hoje.

Evidências a favor da ligação entre os remanescentes

Com o uso dos dados do Fermi, os pesquisadores localizaram uma emissão de raios gama associada ao remanente menos evidente, G189.6+3.3, antes ofuscada pela luminosidade da Nebulosa da Água-viva. Um filamento de gás observado entre os dois remanescentes indica uma ligação física no mesmo ambiente cósmico.

As estimativas apontam que os centros das explosões estão separados por cerca de 40 anos-luz. As idades estimadas variam de 8 mil a 9 mil anos para IC 443 e de 20 mil a 110 mil anos para G189.6+3.3, sugerindo um intervalo entre as explosões de até 100 mil anos.

Para testar a hipótese, os cientistas simularam cerca de um milhão de sistemas binários com estrelas massivas. Os resultados mostram que novas explosões duplas podem emergir de binários onde há troca de massa durante a evolução estelar, com características compatíveis com as observadas.

A equipe também calculou que a chance de alinhamento apenas por acaso é inferior a 1%, o que reforça a possibilidade de uma relação física entre os remanescentes.

Implicações da descoberta

Caso seja confirmada, a observação seria o primeiro registro de duas companheiras que explodiram como supernovas e deixaram vestígios detectáveis até hoje. O achado pode abrir novas linhas de pesquisa sobre a evolução de estrelas massivas e sobre a origem de raios cósmicos que atravessam a galáxia, conectando estágios evolutivos de sistemas binários antigos.

Cientistas destacam que a descoberta ressalta o papel dos raios gama em revelar aspectos ocultos de estrelas que evoluíram juntas por milhões de anos. O trabalho continua com análises adicionais e validação por meio de observações complementares.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais