- Estudo publicado na JAMA Internal Medicine analisou dados do Medicare e mostrou queda no registro de infarto, derrame e outras doenças crônicas durante a pandemia.
- A redução não indica melhoria da saúde, e sim mudanças no atendimento e no comportamento de busca por cuidados médicos, com idosos evitando hospitais ou tendo consultas canceladas.
- Esse contexto resultou em subdiagnóstico ou registro ausente dessas condições nos prontuários.
- A pesquisa mostrou que a associação entre essas doenças e mortalidade mudou após a pandemia, como o infarto agudo do miocárdio passando a ter menor relação com mortalidade geral em 2022 em comparação a 2019.
- Conclusão: avaliações que comparam períodos pré e pós-2020 podem ter erros; é preciso cautela ao interpretar tendências de saúde nessas situações.
Uma pesquisa publicada pela revista JAMA Internal Medicine analisa como a pandemia de Covid-19 alterou o registro de doenças crônicas no Medicare, o sistema de saúde para idosos dos EUA. O estudo investiga impactos no histórico de infarto, AVC e outras condições, e como isso afeta a precisão de dados para políticas de saúde.
Os autores apontam que os registros de diagnósticos diminuíram durante a pandemia. A queda não é garantidamente resultado de melhor saúde entre idosos, mas sim de mudanças no comportamento de busca por atendimento médico e de cancelamentos de consultas e exames.
Além disso, a pesquisa indica que a relação entre essas doenças e a mortalidade mudou após 2020. O infarto agudo do miocárdio mostrou menor associação com a mortalidade geral em 2022 frente a 2019, possivelmente por um viés de sobrevivência.
Viés de sobrevivência e registro médico
Pacientes mais graves podem ter falecido em meio à Covid-19, deixando uma população com condições menos graves registradas. Esse efeito complica comparações entre dados pré e pós-2020 e pode distorcer taxas de mortalidade ajustadas por risco.
Implicações para pesquisas e políticas públicas
O estudo alerta que análises que cruzam períodos anteriores à pandemia devem considerar mudanças no registro de doenças. Fórmulas de avaliação de saúde pública precisam levar em conta esse viés ao interpretar tendências e ao planejar políticas.
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