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Substâncias do dia a dia podem prejudicar gestação, aponta estudo

Estudo com mais de cinco mil pares mães e filhos associa substâncias comuns a parto prematuro e baixo peso ao nascer, destacando necessidade de reduzir a exposição

Gestantes são expostas a dezenas de substâncias químicas comuns que podem adiantar o parto e interferir no peso do bebê ao nascer - (crédito: yanalya/ Freepik)
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  • Estudo internacional aponta que gestantes são expostas a dezenas de substâncias químicas comuns que podem adiantar o parto e reduzir o peso do bebê, com efeitos que podem durar a vida toda.
  • Ftalatos, plastificantes substitutos, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e fenóis halogenados aparecem em alimentos, água, ar poluído e diversos produtos do dia a dia.
  • Foram avaliados 5 mil pares mãe-filho, com 113 compostos detectados em amostras de urina materna; em média, cada amostra tinha 45 contaminantes.
  • As substâncias mostraram associação com parto prematuro e baixo peso ao nascer; plastificantes substitutos também apresentaram efeitos semelhantes.
  • Especialistas recomendam reduzir a exposição desde a origem, ações no pré-natal e políticas públicas mais rigorosas para proteger gestantes e bebês.

O estudo, conduzido por universidades dos EUA, aponta que gestantes são expostas a dezenas de substâncias químicas comuns. O trabalho associa esses contaminantes a parto prematuro e menor peso ao nascer. A pesquisa foi publicada na Jama Network Open. Local: Estados Unidos. Período estudado: início dos anos 2000 até 2021.

A equipe da Universidade da Carolina do Norte, de Stanford e do Instituto Woods para o Meio Ambiente recrutou mais de cinco mil pares mãe-filho. Foram analisadas amostras de urina materna e dados de duração da gestação e peso ao nascer. Cobrindo 113 compostos comuns em casa, ar, água e alimentação.

Ao todo, cada amostra continha em média 45 contaminantes. A relação entre essas exposições e resultados perinatais foi avaliada via correlações com menor tempo de gestação e menor peso ao nascer. Entre os compostos, destacam-se ftalatos, plastificantes substitutos, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e fenóis halogenados.

Diversos compostos apresentaram associação consistente com parto prematuro. Ftalatos, plastificantes substitutos e HAPs também foram vinculados a baixo peso ao nascer. Substâncias menos estudadas mostraram ligação com bebês mais magros. A pesquisa enfatiza a relevância do tema para a saúde infantil.

No Brasil, obstetra brasileira ressalta que essas substâncias podem interferir em hormônios e no funcionamento da placenta. A placenta é essencial para a transferência de oxigênio e nutrientes ao bebê. Interferência nesse equilíbrio pode impactar crescimento e tempo de gravidez.

No pré-natal, profissionais devem orientar medidas preventivas para reduzir exposições. Embora não seja possível eliminar tudo, reduzir a exposição é central para cuidado de ambientes onde o bebê se desenvolve. Políticas públicas também são citadas como necessárias.

Novas alternativas

Os pesquisadores identificaram plastificantes recentes, usados para substituir ftalatos, em amostras de gestantes. Essas substâncias também apresentaram efeitos nocivos semelhantes. A constatação aponta necessidade de avaliação rigorosa antes da aprovação comercial.

A equipe destaca a urgência de políticas mais efetivas para proteger a população. Substâncias tóxicas devem ter riscos avaliados e reduzidos o quanto antes. Órgãos reguladores são citados como pares importantes nessa agenda.

Segundo a pesquisadora sênior Tracey Woodruff, novas avaliações devem considerar tanto ftalatos quanto os substitutos. Agências devem incorporar essas evidências para reduzir exposições. O objetivo é gestação mais saudável e crianças mais estáveis.

Fernanda Parra, endocrinologista, recomenda práticas simples no dia a dia. Evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos, optar por vidro ou inox, reduzir ultraprocessados e escolher produtos com fórmulas livres de ftalatos. Ambientes bem ventilados também ajudam.

Prejuízos duradouros

Resultados indicam que pequenas variações no peso ao nascer ou na duração da gestação podem ter impactos na saúde futura. O estudo reforça a necessidade de reduzir a exposição a substâncias químicas nocivas durante a gestação. Ações coletivas são essenciais para mudanças duradouras.

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