- Fernanda Abra foi anunciada vencedora do Wayfinder Award, prêmio da National Geographic Society apoiado pela Kia, recebendo US$ 50 mil e acesso a rede de exploradores da instituição.
- A honraria reconhece 15 pessoas que representam nova geração de lideranças em soluções para desafios ambientais globais.
- O projeto Reconecta trabalha para reduzir impactos de rodovias na fauna na Amazônia, com pontes de dossel que permitem travessias de animais arborícolas.
- Em Alta Floresta, Mato Grosso, sete pontes de dossel registraram cerca de 15 mil travessias de animais em 15 meses, entre espécies como zogue-zogue-de-alta-floresta e macacos.
- O reconhecimento cita a parceria com DNIT, UFAM e comunidade Waimiri-Atroari, com planos de ampliar as pontes para Lucas do Rio Verde e outras regiões nos próximos anos.
Fernanda Abra, pesquisadora do IPÊ, foi anunciada nesta quinta-feira como vencedora do Wayfinder Award, coordenado pela National Geographic Society em parceria com a Kia. O prêmio reconhece 15 pessoas que representam nova geração de lideranças em soluções ambientais globais. Abra recebe o título de Exploradora da instituição e um aporte financeiro de US$ 50 mil, além de acesso a financiamento e rede de exploradores.
A honraria destaca o trabalho da bióloga de conservação na Amazônia, com foco na redução dos impactos de rodovias sobre a fauna. Ela lidera o projeto Reconecta, em cooperação com o Instituto Reconecta e a ViaFAUNA, atuando também como pesquisadora associada do Smithsonian National Zoo and Conservation Biology Institute.
A premiação foi recebida como reconhecimento ao esforço coletivo de instituições e pessoas envolvidas, incluindo o município de Alta Floresta, em Mato Grosso, e parceiros do projeto. Abra ressaltou a importância de pontes de dossel para a travessia de animais arborícolas, alimento e reprodução.
Sobre o projeto Reconecta
O Projeto Reconecta começou na Amazônia, em 2021, ligando trechos da BR-174 que atravessam a Terra Indígena Waimiri-Atroari, nos estados do Amazonas e Roraima. Ao todo, 32 pontes de dossel artificiais foram instaladas na via, numa iniciativa considerada a maior em uma estrada tropical.
A instalação contou com o DNIT, UFAM e a comunidade Waimiri-Atroari, que ajudaram na identificação de locais prioritários, na montagem das estruturas e no monitoramento da fauna. Pesquisas com o Smithsonian orientaram o desenvolvimento de um modelo de ponte com múltiplas camadas para diferentes formas de locomoção.
Resultados em Alta Floresta
Em Alta Floresta, sete pontes de dossel registraram 15 mil travessias em 15 meses de monitoramento. Espécies observadas incluem o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, o macaco-aranha-de-cara-preta e o bugio-ruivo, entre outras primatas arborícolas. O zogue-zogue é apontado como símbolo da iniciativa.
A Fundação Ecológica Cristalino e parceiros ressaltam que cada travessia contribui para a sobrevivência da espécie, defendendo investimentos em conectividade florestal. O programa municipal Alta Floresta Não Atropela integra a iniciativa regional.
Próximos passos e restruturação
A continuidade prevê a instalação de mais oito pontes em Alta Floresta, sujeitas a parceria com a Energisa para ajustes na rede elétrica. Também há planos para dez novas pontes em Lucas do Rio Verde e expansão para outros municípios, estados e rodovias nos próximos anos.
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