- Primeiro transplante de pulmões de um doador HIV positivo para um receptor também soropositivo foi realizado, em Nova York, em 21 de março, pelo NYU Langone Health.
- O receptor foi Bertrand Nelson, 56 anos, morador de New Jersey, que já vivia com HIV há mais de duas décadas.
- Nelson recebeu dois pulmões (um deles doado por pessoa com HIV) e fígado de doador falecido também HIV positivo; a cirurgia teve complicações, incluindo uma parada respiratória durante o procedimento.
- O procedimento é visto como marco que pode ampliar o acesso a transplantes para pacientes soropositivos e aumentar a disponibilidade de órgãos.
- A operação tornou-se possível gracias à Lei HOPE, aprovada em 2013 nos Estados Unidos, que permite órgãos de doadores com HIV para receptores infectados pelo vírus.
Bertrand Nelson, 56 anos, vive com HIV há mais de vinte anos. Em 21 de março, ele recebeu um transplante de pulmões duplo, vindo de um doador HIV positivo, além de um fígado de doador com a mesma condição. O procedimento ocorreu no NYU Langone Health, nos Estados Unidos, e foi anunciado apenas nesta sexta-feira (19).
O homem de Nova Jersey já tinha histórico de sarcoidose desde 2000 e, em 2021, agravou-se com a pneumonia grave causada pela Legionella. A deterioração pulmonar levou à colocação na lista de transplante em 2024, após avaliação rigorosa no centro médico nova-iorquino. Nelson saiu do hospital cerca de 67 dias depois, com a recuperação em curso.
O transplante de pulmões entre receptores soropositivos só foi possível graças à Lei HOPE, aprovada em 2013, que autorizou a doação entre pessoas com HIV. Inicialmente restrita a rins e fígados, a legislação abriu caminho para procedimentos envolvendo pulmões e corações, ainda considerados experimentais.
Avanço médico e impacto
Especialistas afirmam que o caso amplia significativamente a possibilidade de transplante para pacientes soropositivos e pode reduzir a escassez de órgãos. A equipe da NYU Langone destaca que a prática representa décadas de avanços no tratamento do HIV, com carga viral muitas vezes indetectável.
Sapna Mehta, diretora clínica do Instituto de Transplantes da instituição, reforça que pacientes com HIV podem viver vidas longas e tornar-se doadores, ampliando o conjunto de opções de órgãos disponíveis para quem aguarda na fila. O caso reforça potencial de novas fontes de doação.
Sobre o receptor e próximos passos
Nelson foi diagnosticado com HIV e sarcoidose em 2000, com piora clínica em 2021. Após o transplante, ele deverá iniciar fisioterapia para recuperar força muscular. A recuperação emocional tem sido positiva, apesar do longo período de internação.
A história de Nelson é vista como marco científico e social, com o objetivo de reduzir estigmas associados ao HIV e incentivar a doação de órgãos entre pessoas soropositivas. A repercussão do caso ainda depende de monitoramento contínuo e confirmação de resultados a longo prazo.
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