- Cristine Scattolin, médica legista e professora da FMUSP, ganhou mais de 160 mil seguidores ao compartilhar conteúdos sobre morte e trabalho no IML.
- Ela usa as redes para explicar o processo da morte e buscar desmitificar o tema, dizendo que o corpo morto “fala” pelos padrões do óbito.
- No Brasil, cerca de quatro mil pessoas morrem por dia; o IML recebe mortes não naturais, como acidentes, afogamentos e intoxicações, sendo o acidente de moto o mais comum.
- A necropsia permite identificar hábitos de vida, como uso de álcool, cigarro, cocaína, pressão alta e sedentarismo.
- Entre os temas de saúde abordados, os vídeos com maior resistência tratam de álcool, cocaína, vape e anabolizantes; a influenciadora incentiva cuidar do sono, da alimentação e de exercícios.
Cristine Scattolin, médica legista e professora da FMUSP, ganhou espaço nas redes ao abordar temas ligados à morte. Em 2025, ela começou a publicar vídeos que resumem conteúdos que estuda, ampliando o alcance de seu trabalho no Instituto Médico Legal.
A influencer tem mais de 160 mil seguidores e foca em esclarecer aspectos do processo de morrer, bem como as atividades do IML em casos não naturais, como acidentes, afogamentos e intoxicações. O objetivo é reduzir o tabu sobre a morte na sociedade.
Nos conteúdos, Cristine explica que o foco é a vida, mesmo ao tratar de óbito. Ela reconhece a resistência de parte do público e, apesar de não se considerar influencer, afirma que pretende normalizar a compreensão do fim da vida.
O que ela faz na prática
A legista atua em uma cidade do litoral de São Paulo, onde mora. No IML, ela analisa casos de mortes não naturais e realiza necropsias para entender causas, mecanismos e sinais deixados pelo estilo de vida dos falecidos.
Segundo Cristine, o acidente de moto é o tipo de ocorrência mais comum entre seus casos. Ela ressalta que a experiência no IML permite identificar hábitos de saúde observáveis no corpo, como fumante, uso de álcool ou outras substâncias, bem como a pressão arterial.
A partir das análises, a profissional observa que o corpo fornece pistas sobre o que ocorreu ao longo da vida da pessoa. Em seus relatos, ela destaca que a prática de ouvir o próprio corpo e manter hábitos saudáveis pode contribuir para a qualidade de vida.
Entre as dificuldades, ela relata receber críticas ao abordar temas como álcool, cocaína, vape e uso de anabolizantes. Mesmo diante do ceticismo, a profissional mantém o foco em informações técnicas e educativas.
Cristine também participa de atividades acadêmicas, ensinando epidemiologia na pós-graduação da Faculdade de Medicina da USP. Essa atuação complementar reforça o elo entre estudo, prática forense e comunicação pública sobre saúde.
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