- O Dia Mundial do Albatroz destaca a crise de conservação, com as aves no topo da lista de espécies ameaçadas; metade das 22 espécies frequenta águas brasileiras.
- A captura incidental na pesca de espinhel envolve cerca de 300 mil aves marinhas por ano globalmente, sendo 30 mil a 40 mil albatrozes e petréis; no Brasil, cerca de 4 mil albatrozes morrem.
- Medidas mitigadoras são: largada noturna dos anzóis, uso de pesos de chumbo nas linhas e toriline; quando usadas juntas, podem reduzir a captura em até noventa por cento.
- O Projeto Albatroz, criado em 1990 por Tatiana Neves e patrocinado pela Petrobras, atua em quatro estados brasileiros; em 2023 foi inaugurado o Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha em Cabo Frio (RJ).
- A fiscalização envolve Ibama e ICMBio; monitoramento pode ocorrer por câmeras a bordo e por satélite, com o Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite para verificar largadas e atividades de alto-mar.
Os albatrozes e petréis estão entre as aves mais ameaçadas do mundo. Nesta sexta-feira, Dia Mundial do Albatroz, o tema volta a ganhar atenção com a divulgação de medidas para reduzir a morte dessas aves na pesca em alto-mar. A ideia é informar sobre a importância da conservação e as ações em curso.
A data marca a vigência do Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis. Do total de 22 espécies, metade costuma frequentar águas brasileiras para buscar alimento, em busca de temperaturas mais amenas. O foco é reduzir a captura incidental na pesca de espinhel, prática comum em alto-mar.
A redução da população tem avançado rapidamente e impõe desafio a pesquisadores e governos. A pesca de espinhel é uma técnica passiva que usa uma linha principal com várias linhas menores e anzóis iscas, atraindo peixes e, acidentalmente, albatrozes que mergulham atrás das iscas.
Cerca de 300 mil aves marinhas são capturadas incidentalmente pela pesca de espinhel a cada ano no mundo. Entre elas, 30 a 40 mil são albatrozes e petréis, com cerca de 4 mil morrendo no Brasil, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
O Projeto Albatroz atua desde 1990 com foco na conservação dessas aves, patrocinado pela Petrobras desde 2006. O trabalho envolve bases de pesquisa em quatro estados e abriu, em 2023, o primeiro Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha em Cabo Frio (RJ).
Mitigação
Entre as medidas propostas estão a largada noturna dos anzóis, o uso de pesos de chumbo para fazer os anzóis afundarem rapidamente e a adoção do toriline, linha com fitas coloridas que afasta os animais da superfície durante a pesca.
Ao serem implementadas conjuntamente, essas medidas podem reduzir a captura incidental em até 90%. No entanto, a aplicação efetiva ainda depende do monitoramento em alto-mar, uma vez que algumas ações não são verificáveis no porto.
O Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis coordena ações públicas para reduzir a mortalidade e proteger áreas de reprodução. O documento envolve o ICMBio e o Projeto Albatroz, com foco na fiscalização da prática pesqueira para mitigar impactos.
Fiscalização
O Ibama já realiza ações para fiscalizar o uso das medidas. A cobrança sobre o uso de pesos é baseada na legislação, com verificação possível no porto. A verificação da largada noturna e do toriline ocorre principalmente em alto-mar.
Pesquisadores defendem o uso de monitoramento por câmeras ou sistemas eletrônicos embarcados. Em Natal, o Programa Parceiros já testou câmeras a bordo de barcos de pesca de atum, e o tema foi apresentado em uma reunião internacional.
O objetivo é ampliar a fiscalização para assegurar que as medidas mitigadoras sejam usadas de forma consistente em alto-mar, fortalecendo a proteção das aves oceânicas. Dessa forma, as ações visam reduzir a mortalidade e sustentar as populações de albatrozes e petréis.
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