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Pacientes de UTI desenvolvem síndrome que afeta memória e cognição

Síndrome pós-terapia intensiva afeta memória e cognição, com consequências físicas e mentais que podem persistir por meses ou anos; clínicas pós-UTI ampliam suporte a pacientes e famílias

Pessoa descalça com muleta caminha sobre superfície com rachaduras visíveis. Fundo mostra linhas vermelhas que lembram traçados de eletrocardiograma.
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  • Pacientes de terapia intensiva podem desenvolver a síndrome pós-terapia intensiva (SPTI), com consequências físicas, psicológicas e cognitivas que podem durar meses ou anos.
  • O caso de Joseph Masterson ocorreu em Pittsburgh, nos EUA, no dia 16 de novembro. Ele ficou 18 dias na UTI, 14 deles em ventilação mecânica, teve delirium e precisou de medicamentos antipsicóticos.
  • Após alta, Masterson recebeu tratamento com várias terapias e recuperou a capacidade de andar e realizar cuidados básicos; a memória ainda apresenta falhas, e ele não consegue, por exemplo, usar o micro-ondas ou fazer ligações.
  • Médicos ressaltam que a memória e outras funções cognitivas costumam permanecer comprometidas, o que levou à criação de clínicas pós-UTI em cerca de 35 hospitais americanos para triagem e reabilitação.
  • Anualmente, mais de cinco milhões de pessoas são admitidas a UTIs nos Estados Unidos, e pesquisas indicam que mais da metade desenvolve efeitos prolongados após a internação, com maior risco em pacientes mais velhos.

Pacientes de UTI desenvolvem síndrome que afeta memória, cognição e aspectos psicológicos, com impactos que podem durar meses ou anos. A reportagem envolve casos médicos que surgem após internações em unidades de terapia intensiva, onde tratamentos agressivos salvam vidas, mas podem deixar sequelas.

O caso de referência ocorreu em Pittsburgh, nos Estados Unidos, em 16 de novembro, quando Joseph Masterson sofreu parada cardíaca ao dirigir. Um motorista que passava pelo local quebrou a janela do carro e removou o veículo para um espaço seguro. Um bombeiro voluntário iniciou a RCP até a chegada da ambulância.

Masterson passou 18 dias na UTI, 14 deles em ventilação mecânica. Desenvolveu delirium, recebeu antipsicóticos e, mesmo com alimentação por sonda, perdeu peso. A família relata alterações profundas no estado mental durante a internação e a luta pela sobrevivência.

Alta hospitalar ocorreu em 1º de fevereiro, com retorno ao lar acompanhado pela família. O avanço ocorreu com fonoaudiologia, fisioterapia e acompanhamento multidisciplinar. A recuperação incluiu capacidade de caminhar e realizar atividades diárias; a fala melhorou, porém exigiu ajustes. O estado de memória permanece comprometido.

A principal preocupação atual da família é a memória de Masterson, que ainda esquece conversas de horas anteriores. Ele também não consegue operar eletrodomésticos simples, como o micro-ondas, ou realizar ligações. Em entrevista, ele descreveu a própria evolução como muito melhor, mas errou a idade.

Estudos de triagem após a alta indicam comprometimento cognitivo e depressão. Médicos intensivistas chamam esse conjunto de sintomas de síndrome pós-terapia intensiva, ou SPTI, que abrange alterações físicas, psicológicas e cognitivas persistentes. A condição pode durar meses ou anos.

Novos diagnósticos e dados estatísticos ajudam a entender o cenário. Em média, mais de 5 milhões de pessoas são admitidas anualmente em UTIs nos EUA, com cerca de 50% apresentando sinais da SPTI após a alta. A idade avançada aumenta as chances de desenvolvimento.

Pacientes e familiares costumam ser surpreendidos pela persistência de problemas. Médico que acompanhou Masterson aponta que alta não significa retorno imediato à normalidade. A expansão de UTIs e a melhoria de sobrevivência constituem o contexto de maior incidência da síndrome.

Aproximadamente 70% a 90% dos adultos sobrevive às internações de UTI hoje, segundo a Sociedade de Medicina Intensiva, o que amplia o grupo suscetível à SPTI. Especialistas ressaltam que a recuperação envolve longo caminho e múltiplas terapias.

Clinicamente, a SPTI pode incluir fraqueza física, dor, neuropatia, desnutrição, além de ansiedade, depressão e transtornos cognitivos como memória, atenção e linguagem. A psicoterapia e a reabilitação são componentes comuns do processo.

Médicos destacam que a ocorrência de delirium está ligada aos estímulos de sedação usados para manter pacientes estáveis em UTI. O transtorno de estresse pós-traumático também é relatado com frequência entre pacientes e familiares.

Desde 2012, clínicas pós-UTI foram implantadas em várias instituições para mapear e tratar a condição. O centro de Pittsburgh, fundado em 2018, já atende cerca de 100 pacientes por ano. Clínicas em Yale e Vanderbilt também trabalham com equipes multidisciplinares.

Abordagens e práticas recomendadas

As clínicas seguem diretrizes que reduzem sintomas, como sedação mais leve, mobilização precoce e desmame de ventiladores. A monitorização respiratória diária facilita a retirada de aparelhos. Visitas familiares mais livres também compõem o protocolo.

Pacientes costumam participar de grupos de apoio, e existem iniciativas como manter diários de UTI para registrar experiências. Exercícios de reabilitação e continuidade de cuidados são apontados como benefícios para a saúde mental após a alta.

Além disso, as clínicas discutem opções para futuros episódios críticos, equilibrando decisões entre terapia intensiva e cuidados paliativos. O objetivo é alinhar expectativas e escolhas de tratamento com pacientes e familiares.

O otimismo entre médicos é perceptível quanto ao avanço da medicina intensiva. Pesquisadores buscam ferramentas de diagnóstico, estratégias preventivas e terapias mais eficazes para reduzir a incidência de SPTI, mantendo o foco na sobrevivência com qualidade de vida.

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