- Marina Lacerda, brasileira, tinha quatorze anos quando foi cooptada pela rede de Epstein e sofreu abusos por três anos na mansão do financier;
- ela bloqueou as memórias do período por quase duas décadas para conseguir seguir vivendo;
- as lembranças começaram a voltar após ouvir o relato de outra vítima, e em setembro de 2025 decidiu tornar sua história pública;
- durante as investigações de 2008, o FBI a identificou como “Vítima Menor 1” e advogados ligados a Epstein a tentaram silenciar;
- Epstein morreu na prisão em 2019; Marina hoje atua no combate à violência de gênero e continua a divulgar o caso, mesmo diante de ameaças.
A brasileira Marina Lacerda relembra, com detalhes, o histórico de abusos que sofreu na época em que tinha 14 anos, dentro da rede de exploração ligada ao financista Jeffrey Epstein. Após anos de bloqueio voluntário de memórias, ela resolveu tornar público o relato em 2025, impulsionada pelo retorno de lembranças após ouvir uma amiga vítima. A revelação chega em meio a investigações e debates sobre o caso Epstein.
Marina afirma ter sido cooptada pela rede de Epstein e relatou violência repetida, inclusive abuso na frente de outras meninas. O que complicou o processo foi a atuação de advogados ligados a Epstein, que a pressionaram a não colaborar com autoridades. O início da memória fragmentada ficou evidente após uma conversa com a amiga, em 2024.
A história de Marina se conecta a episódios de abuso na infância na família e a dificuldades anteriores de denunciar. Ela descreve um período de forte declínio psicológico em 2019, com uso excessivo de medicações e álcool. A recuperação começou apenas após retomar a comunicação com a amiga e decidir buscar o FBI novamente em 2025.
O que aconteceu e quem está envolvido
Marina Lacerda, natural de Belo Horizonte, mudou-se para os EUA ainda criança e viveu experiências de violência na infância com o padrasto. A investigação sobre Epstein, em que ela ficou identificada como Vítima Menor 1, envolve o FBI e advogados ligados ao financiador. Marina relata que o trauma se manifestou de modo fragmentado ao longo dos anos.
Quando e onde ocorreu
Os abusos com Epstein ocorreram principalmente durante a década de 2000, em residências ligadas ao bilionário, incluindo a cidade de Nova York. As memórias começaram a retornar no ano passado, com a reabertura de investigações após as denúncias públicas já em curso.
Por que as memórias foram afetadas
Especialistas explicam que traumas ativam alterações hormonais que dificultam a formação de memórias. Lais Melq, psicóloga, diz que esse fenômeno é comum em traumas graves e pode resultar em lembranças fragmentadas ou não lineares. A defesa emocional e o apoio profissional são apontados como essenciais para a recuperação gradual.
A profissional observa que forçar a lembrança pode causar mais sofrimento do que clareza. A reconstituição de memórias deve ocorrer com cuidado, respeitando o tempo de cada vítima. O apoio de familiares e de profissionais qualificados é destacado como crucial para a recuperação.
Luciana Temer, professora e pesquisadora, reforça a ideia de que lembranças podem emergir com atraso e que vítimas costumam enfrentar descrédito ao externalizarem o que vivenciaram. O aconselhamento aponta para evitar julgamentos e favorecer a proteção das vítimas.
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