- Estudo com pesquisadores da USP aponta que herbívoros domésticos não substituem as megafaunas extintas no pampa brasileiro.
- Bovininos, caprinos e ovinos cumprem funções ecológicas novas, não correspondentes às dos megamamíferos desaparecidos.
- Cavalos domésticos aparecem como possível exceção, por manterem semelhança ecológica com o cavalo extinto Equus neogeus.
- O cervo de origem indiana chital, introduzido no Uruguai, também é citado como possível semelhança ecológica, mas não resolve o vazio histórico.
- O estudo reforça a importância de proteger espécies ameaçadas e únicas do ecossistema, como antas, queixadas e cervos-do-pantanal.
A pesquisa, realizada por pesquisadores da USP, avaliou as funções ecológicas de grandes mamíferos no pampa, no Rio Grande do Sul, Brasil. O objetivo foi entender se animais domésticos poderiam substituir os megamamíferos extintos há cerca de 10 mil anos. O estudo analisa espécies silvestres e domésticas desde o fim da última Era do Gelo até hoje. Os resultados indicam que isso não ocorre na prática.
A equipe, liderada pela pesquisadora Thayara Carrasco, utilizou dados de diversidade de espécies e de suas funções ecológicas no pampa. A análise comparou o papel de herbívoros de grande porte de hoje com o dos extintos. A conclusão central é que bovinos, caprinos e ovinos exercem papéis novos, não correspondentes aos dos gigantes de antigamente.
Exceções e limites
Em alguns casos, cavalos domésticos podem se aproximar de espécies extintas como o Equus neogeus, por mapa ecológico. O cervídeo exótico chital, introduzido no Uruguai, também apresenta semelhanças com o veado desaparecido Antifer ensenadensis. Mesmo assim, a correspondência é parcial e limitada.
Implicações para conservação
O estudo aponta que investir na proteção de espécies ainda ameaçadas, como antas, queixadas e cervos-do-pantanal, é mais eficiente para manter funções ecológicas. A análise reforça que a restauração completa do passado não é viável apenas com animais domesticados ou exóticos.
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