- O estudo avaliou hábitos de trabalho, isolamento e distúrbios psicológicos em 588.322 pessoas de 2011 a 2024, excluindo 2020 e 2021.
- Entre quem pode trabalhar remotamente, o compartilhamento de trabalho remoto subiu de 10% antes da pandemia para 30% depois, e as horas em solidão passaram de 5 para 8 por dia.
- Entre quem precisa ir ao escritório, o remótismo passou de 2% para 6%, e as horas de solidão aumentaram de 4 para 5 por dia.
- Quem mora sozinho teve maior efeito: 25% dos que podem trabalhar remotamente e moram sozinhos passam o dia isolados, versus 6% entre os que não podem trabalhar remotamente e moram sozinhos.
- Ao cruzar com medidas de estresse psicológico, houve correlação entre mais isolamento e sintomas psiquiátricos, especialmente para quem vive sozinho e trabalha remotamente; não houve correlação com uso de medicamentos para outras doenças.
O que a solidão do home office faz com a saúde mental é tema de um estudo que avaliou hábitos de trabalho, isolamento social e distúrbios psicológicos em 588.322 pessoas entre 2011 e 2024, excluindo 2020 e 2021 por causa da pandemia. Os dados analisados mostraram relação entre trabalho remoto e saúde mental.
O estudo dividiu participantes em dois grupos: quem não pode trabalhar remotamente e quem pode. Cada grupo foi subdividido entre pessoas que vivem sozinhas e aquelas que moram com familiares, acompanhando mudanças ao longo de 13 anos.
Antes da pandemia, a parcela de trabalhadores que podiam atuar remotamente de forma total era baixa; passou de 10% para 30% após o pico da covid-19. O tempo diário de solidão nesses trabalhadores subiu de 5 para 8 horas.
Entre quem precisa ir ao escritório, o total remoto foi de 2% antes da pandemia e chegou a 6% depois, com horas de solidão aumentando de 4 para 5 por dia. A tendência de maior isolamento atingiu toda a população, inclusive profissionais não abrangidos pelo home office.
Pessoas que moram sozinhas
Entre quem pode trabalhar remotamente e vive sozinho, 25% passam o dia todo isolados. Já entre quem não pode trabalhar remotamente e mora sozinho, esse índice é de 6%. O isolamento elevou sinais de estresse psicológico.
Associações com saúde mental
Ao cruzar dados com indicadores objetivos, como testes de estresse, consultas psiquiátricas e uso de antidepressivos, o aumento do isolamento correlacionou-se com piora nesses aspectos. Não houve correlação com a prescrição de outros fármacos, como para colesterol.
Conclusões e contexto
O estudo aponta que o maior tempo de isolamento, especialmente entre quem trabalha remotamente e mora sozinho, está ligado ao aumento de doenças psiquiátricas. A pesquisa ressalta a natureza social humana como fator relevante na saúde mental.
“Home alone: Remote work, isolation, and mental health” é a referência da pesquisa publicada na Science e envolve dados de larga escala ao longo de mais de uma década. O estudo não faz juízo de valor, apenas descreve relações observadas.
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