- O desequilíbrio energético da Terra dobrou nas últimas décadas e atingiu níveis recordes, indicando mudanças climáticas amplificadas pela atividade humana.
- Cerca de noventa por cento do calor extra é absorvido pelos oceanos, que estão aquecendo; geleiras e permafrost devem derreter e as camadas de gelo se retraem.
- O nível do mar subiu cerca de vinte e três centímetros desde 1901, com a elevação anual acelerando de aproximadamente 1,7 milímetro por ano (1901-2018) para mais de 3,6 milímetro por ano na última década.
- Ondas de calor marinhas tornaram-se cerca de três vezes mais frequentes desde o início dos anos noventa, com a região oceânica média registrando cerca de 65 dias de calor em 2025.
- O El Niño forte, somado ao aquecimento global, pode intensificar impactos climáticos (seca em algumas regiões, chuvas excessivas em outras); em 2025 o aquecimento global estava em torno de 1,37°C acima do nível pré‑industrial, podendo superar 1,5°C em cerca de quatro anos se as emissões não forem reduzidas.
O desequilíbrio energético da Terra dobrou nas últimas décadas, atingindo níveis recordes. A diferença entre energia que entra e sai do planeta aponta para mudanças climáticas aceleradas causadas pela atividade humana. A leitura é baseada em atualização de uma grande equipe internacional de cientistas.
Cerca de 90% do calor adicional é absorvido pelos oceanos, que funcionam como um enorme dispersor de energia. Como consequência, oceanos aquecem, gelo polar derrete e permafrost descongela. O efeito se manifesta em todo o sistema terrestre, inclusive nos níveis do mar.
A elevação do nível do mar permanece em ascensão. Entre 1901 e 2018, a alta acumulada foi de cerca de 23 centímetros. Na última década, a subida anual supera 3,6 milímetros, mais que o dobro do ritmo anterior.
O aquecimento dos mares aumenta a frequência de eventos extremos. Ondas de calor marinhas são hoje cerca de três vezes mais comuns desde os anos 1990. Em 2025, a região oceânica média registrou cerca de 65 dias de calor extremo, com variações regionais relevantes.
Esse acúmulo de calor não fica apenas no oceano. Atmosfera mais úmida e evaporação intensificada elevam a probabilidade de chuvas fortes, secas e eventos extremos em continentes. O conjunto eleva riscos para ecossistemas, pesca e infraestrutura costeira.
O estudo ressalta que, além do aquecimento causado pela humanidade, há influência de padrões naturais como o El Niño. O Pacífico tropical tende a aquecer periodicamente e altera precipitações globais, potencializando impactos já previstos pelo aquecimento.
Cientistas observam a possibilidade de El Niño particularmente forte, o que pode intensificar temperaturas e mudanças de regime de chuva. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o El Niño pode agravar um mundo já em aquecimento.
Em 2025, a temperatura média global ficou aproximadamente 1,37°C acima dos níveis pré-industriais. O texto alerta que, no ritmo atual, há risco de ultrapassar o limite de 1,5°C em cerca de quatro anos, elevando crises climáticas.
Especialistas destacam que reduzir emissões de gases de efeito estufa e chegar a emissões líquidas zero são medidas centrais para retomar o equilíbrio do sistema terrestre. Sem isso, o calor continuará a se acumular e os extremos devem se intensificar.
Este conteúdo integra a cobertura do The Conversation, com base em análise de dados do setor científico internacional e em pré-impressões sobre o estado do clima. A versão original pode ser consultada na íntegra na publicação mencionada.
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