- Estudo com Ipsos-Ipec aponta que 27 milhões de brasileiros convivem com enxaqueca sem diagnóstico, enquanto cerca de 23 milhões já são diagnosticados.
- Desconhecimento, automedicação e dificuldade de acesso a especialistas ajudam a explicar a subnotificação; a enxaqueca é uma doença, não apenas dor de cabeça.
- Mulheres são maioria: 75% dos diagnosticados e 63% dos com sintomas compatíveis ainda não confirmados; fatores hormonais, genéticos e sociais influenciam.
- A Anvisa aprovou o Nurtec ODT (rimegepanto) para tratamento de crises e prevenção; em estudos, cerca de 20% ficaram sem dor duas horas após o uso.
- Casos como o da empresária Marina Goulart mostram melhora após diagnóstico e tratamento específico, com crises menos frequentes e períodos sem episódios incapacitantes.
Foi identificado que 27 milhões de brasileiros podem conviver com enxaqueca sem diagnóstico, segundo levantamento divulgado pela Teva Brasil com apoio da Abraces. O estudo aponta subnotificação motivada pelo desconhecimento da doença e pela dificuldade de acesso a especialistas.
Além disso, o país tem cerca de 23 milhões de pacientes diagnosticados. Para cada pessoa com diagnóstico, há pelo menos uma com sinais da doença sem confirmação médica, o que evidencia falhas no encaminhamento e tratamento.
A pesquisa, dividida em dois módulos, envolveu 2 mil entrevistas em 132 municípios e 408 entrevistas com diagnosticados formalmente. A metodologia seguiu cotas por sexo, idade, região, escolaridade, cor e atividade econômica.
Desafios do diagnóstico
Mário Peres, presidente da Abraces, explica que a enxaqueca é uma doença, não apenas uma dor. Não há exame definitivo, o diagnóstico depende do relato do paciente e da observação clínica. A condição pode evoluir para enxaqueca crônica com crises em mais de 15 dias mensais.
O estudo aponta automedicação e acesso limitado a especialistas como fatores da subnotificação. A enxaqueca é descrita como doença invisível, o que dificulta o reconhecimento e o tratamento adequado.
Impacto nas mulheres
Dados do levantamento indicam que mulheres são as mais impactadas: 75% dos diagnosticados e 63% dos com sintomas sem confirmação médica são do sexo feminino. Oscilações hormonais, predisposição genética e sobrecarga de tarefas contribuem para a maior frequência de crises.
Marina Goulart, empresária, relatou crises desde a adolescência, com episódios intensos e fotofobia que chegavam a impedir atividades simples. Ela recebeu o diagnóstico aos 18 anos, mas relatou falhas no tratamento recebido na época.
Opção de tratamento recente
A Anvisa aprovou o rimegepanto (Nurtec ODT), medicamento para tratamento e prevenção da enxaqueca. O composto bloqueia a CGRP, com estudo mostrando alívio da dor em cerca de 20% dos pacientes two horas após o uso e redução de crises na prevenção.
Especialista destaca que a terapia representa avanço, com perfil de tolerabilidade superior a analgésicos e triptanos. A indicação é individualizada, considerando frequência de crises, comorbidades, adesão e custo-benefício.
Experiência de Marina
A paciente iniciou tratamento específico aos 39 anos e adotou mudanças como exercícios regulares e horários fixos de sono. Ao buscar atendimento especializado, a doença já estava na forma crônica, o que, segundo ela, poderia ter sido evitado com orientação precoce.
Hoje, Marina relata significativas melhorias na qualidade de vida, sono e capacidade de realizar atividades diárias, com períodos de até três meses sem crises incapacitantes.
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