- Ao menos quatorze ações na Justiça Federal solicitam autorização para importar versões paraguaias da tirzepatida; em cinco casos, juízes concederam liminares para a entrada do medicamento, em estados como Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul.
- A Anvisa proíbe a tirzepatida no Brasil porque os preparados paraguaios não passaram pela avaliação de segurança e eficácia no país, e, portanto, não podem ser comercializados.
- O volume de apreensões de canetas emagrecedoras aumentou neste ano: de janeiro a maio foram 414 mil unidades, com a maior parte no Paraná, fronteira com o Paraguai.
- Pesquisadores destacam que a versão paraguaia pode ter preço mais baixo: a dose mais alta é vendida por cerca de 460 reais, versus aproximadamente 1,4 mil reais no Brasil.
- Até o momento, 44 mortes são investigadas por uso de tirzepatida; a relação com produtos importados não registradas é difícil de precisar, e entidades médicas defendem a atuação da Anvisa para proteger a saúde.
Ao menos 14 ações na Justiça Federal cobrem autorização para importar versões paraguaias de tirzepatida, proibida pela Anvisa no Brasil. Em cinco casos, juízes concederam liminares para entrada do medicamento, sob o argumento de uso pessoal. Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul são os estados envolvidos.
A Anvisa mantém a contestação às decisões e busca reverter essa autorização judicial. A agência afirma que as versões paraguaias não passaram por avaliação de segurança e eficácia no Brasil, requisito para qualquer medicamento que circula no país.
Em jogo: preço, uso pessoal e riscos
Pacientes citam o custo do tratamento. A dose baixa de tirzepatida permitida no Brasil, via caneta Mounjaro, sai por cerca de R$ 1,4 mil mensais; no Paraguai, a dose alta fica em torno de R$ 460, cerca de um terço do valor.
Segundo a Receita Federal, o volume de apreensões de canetas emagrecedoras cresceu em 2026, com 414 mil unidades entre janeiro e maio, principalmente no Paraná, fronteira com o Paraguai. As autoridades destacam risco sanitário.
Ponto de vista das entidades médicas
A Anvisa aponta que nenhum dos produtos paraguaios passou pela avaliação regulatória brasileira. A SBEM afirma que é essencial respeitar as decisões sanitárias e reforça a importância de registros oficiais para segurança de pacientes.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que medicamentos sem registro trazem incerteza sobre qualidade, pureza e conservação. A Abeso ressalta a necessidade de tratamentos já aprovados e avaliados pela Anvisa.
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