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Brasil reduz desmatamento na Amazônia em Piripkura, porém gado permanece

Ação do governo contra invasões em território Piripkura reduz desmatamento, porém cerca de mil bovinos permanecem sem autorização para remoção

A herd of cattle in Brazil’s Mato Grosso state
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  • A repressão a invasões na Terra Indígena Piripkura reduziu o desmatamento em dois mil e vinte e cinco, segundo análise de satélite.
  • Aproximadamente mil bovinos deixados pelos invasores permanecem na área e não há autorização federal para removê-los.
  • A presença de gado atrai novas entradas de fazendeiros, embora alguns animais sejam de proprietários que já tinham atividades na área.
  • A terra opera sob ordens de uso restrito desde dois mil e oito para proteger povos isolados, com demarcação em curso e decisões judiciais que permitem permanecer temporariamente alguns usos.
  • Há preocupações com mineração artesanal e estradas ilegais, com autoridades em dois mil e vinte e seis registrando desmatamento recente e maior presença do Estado para dissuadir invasões.

O governo brasileiro intensificou ações contra invasores que ocuparam a Terra Indígena Piripkura na região oeste de Mato Grosso, com foco na retirada de ocupantes dedicados à criação de gado e outras atividades agropecuárias. A operação tem mostrado resultados na redução do desmatamento desde 2024, segundo análises de satélite.

A Terra Indígena Piripkura, que engloba 242 mil hectares, abriga os dois últimos povos piripkura conhecidos em isolamento voluntário. Autoridades destacam que, apesar da queda no desmatamento, cerca de 1 mil bovinos deixados pelos invasores permanecem na área e não há autorização do governo para a remoção.

Mesmo com o recuo de invasores, o manejo de gados continua atraindo entradas de pecuaristas, que chegam para cuidar dos animais. Parte dos bovinos pertence a proprietários que já ocupavam o território antes da restrição de uso ter sido implementada.

Ações e entraves legais

Desde 2008, uma série de ordens de restrição de uso busca impedir a entrada de invasores. No entanto, uma decisão judicial recente permitiu temporariamente que alguns produtores permaneçam até a conclusão do processo de demarcação. O objetivo é proteger os isolados e facilitar o processo de demarcação.

Recebeu cautelar, ainda, a permanência de produtores com medidas judiciais específicas ou que já atuavam antes das atuais restrições, conforme avaliação de órgãos públicos. A Procuradoria-Geral da República e agentes ambientais acompanham a situação para evitar novas invasões.

Desmatamento e monitoramento

Dados do Global Forest Watch indicam que o Piripkura registrou pico de perda de cobertura florestal em 2021, com aumento expressivo de desmate ligado à criação de pastagens. Desde então, as perdas recuaram, com queda expressiva em 2024 e 2025, totalizando 106 hectares em 2025. O monitoramento contínuo é assegurado por unidades de Funai e pelo Ethno-environmental Protection Base instalada na região.

Funcionários do Ibama, sob condições de anonimato, destacam dificuldade para obter autorizações federais para remover o efetivo de gados remanescentes. A ausência de autorização sustenta a percepção de legitimidade para novos ingressos, dificultando o avanço das ações de retirada.

Perspectivas e impactos

Especialistas de proteção aos povos isolados ressaltam que a demarcação rápida da terra é crucial para reduzir invasões futuras. Dados de OPAN apontam riscos adicionais relacionados a permissões de mineração na região, o que pode implicar em usos extrativistas paralelos e impactos hídricos para a comunidade isolada.

Autoridades ressaltam que, embora a presença de gado dificulte a regeneração de áreas desmatadas, o avanço de ações de fiscalização e o aumento da presença estatal ajudam a desencorajar novas invasões. A expectativa é de continuidade das operações enquanto o processo de demarcação avança.

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