- O cometa interestelar 3I/Atlas pode ter até 12 bilhões de anos, quase o triplo da idade da nossa solar system (aproximadamente 4,5 bilhões de anos).
- Observado pela primeira vez em julho do ano passado, é o terceiro visitante interestelar já registrado e oferece oportunidade rara de estudo.
- Análises com o telescópio espacial James Webb e o observatório Alma apontam uma composição isotópica única, com cerca de dez vezes mais deuterium do que cometas do nosso sistema.
- A alta deuteriação sugere um ambiente extremamente frio, possivelmente em torno de -243°C, indicando origem distante em regiões frias do espaço.
- A origem exata dentro da Via Láctea permanece um mistério; cientistas ressaltam que, apesar de fascinante, não há evidência de tecnologia extraterrestre.
Interstellar 3I/Atlas, um cometa vindo de fora do nosso sistema solar, passou pelo Sol no ano passado. Estudado com observatórios poderosos, o objeto pode ter até 12 bilhões de anos, segundo pesquisa publicada na Nature. A descoberta oferece a primeira oportunidade de analisar um corpo interestelar com dados detalhados.
Os resultados indicam que Atlas apresenta uma composição isotópica incomum, obtida pelo James Webb e pelo observatório Alma, no Chile. A relação de deutério sugere ambiente extremamente frio, com temperaturas próximas a -243°C, o que aponta origem distante da Via Láctea.
A equipe liderada por Martin Cordiner, da NASA Goddard, afirma que Atlas pode ser o objeto mais antigo já observado no nosso sistema solar, embora cenários extremos não estejam completamente descartados. A pesquisa ressalta que o cometa pode ter passado bilhões de anos em trajetórias vastas pela galáxia.
A origem exata de Atlas continua misteriosa. Cientistas ressaltam que objetos interestelares se formam de modo similar aos cometas do sistema solar, sendo lançados durante a formação de planetas. Atlas demorou a abandonar o nosso interior e deve continuar a avançar para fora do sistema.
Observações adicionais mostram falta de enriquecimento químico, o que sugere formação próxima a estrelas recém-nascidas. Esse perfil pode reduzir a probabilidade de Atlas ter se originado em regiões de intensa atividade estelar.
O estudo utilizou dados do James Webb e do Alma para medir isótopos de vários elementos. Em comparação com cometas locais, Atlas apresenta Deutério em concorrência muito maior, o que reforça a hipótese de formação em ambiente frio.
Outros objetos interestelares conhecidos, como 1I/Oumuamua e 2I/Borisov, não permitiram evidência isotópica semelhante. Autoridades espaciais ressaltam que novas observações serão mais viáveis com a futura brasileira Vera C. Rubin Observatory, no Chile.
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