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Crise climática faz regiões temperadas liderarem perdas de biodiversidade

Crise climática faz regiões temperadas liderarem perdas de biodiversidade; 49% das espécies sofrem extinções locais, frente a 33% nas tropicais, com migração frustrada

Salamandra-de-fogo-europeia (Salamandra salamandra), uma das espécies de regiões temperadas incluídas no estudo que registraram extinções locais relacionadas às mudanças climáticas. — Foto: Divulgação/John Wiens
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  • Estudo com mais de cinco mil espécies e quase quarenta mil locais mostra que a crise climática já provoca extinções locais mais intensas em regiões temperadas do que em áreas tropicais.
  • Em regiões temperadas, 49% das espécies sofreram extinções locais nas áreas mais quentes de sua distribuição, ante 33% nas tropicais.
  • A principal explicação é o aquecimento mais rápido nessas regiões: entre 2016 e 2021, a temperatura aumentou cerca de 3,3°C nas temperadas, vs. 1,8°C nas tropicais.
  • Mais de setenta por cento das espécies analisadas não migraram para áreas mais frias, devido a barreiras como estradas e cidades, o que amplia o risco de perdas.
  • O estudo não faz projeções futuras; ele documenta mudanças já observadas e alerta para impactos mais amplos na biodiversidade mundial.

A crise climática já afeta a biodiversidade de forma mais rápida e ampla do que se previa. Um estudo publicado na Nature Climate Change analisou mais de 5 mil espécies em quase 40 mil locais, revelando perdas locais expressivas em regiões temperadas.

Os pesquisadores identificaram que 49% das espécies de zonas temperadas sofreram extinções locais nas áreas mais quentes de sua distribuição, frente a 33% nas regiões tropicais. Extinção local não elimina a espécie globalmente, mas reduz a variedade de ecossistemas.

A pesquisa, que agregou plantas, mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis e insetos, representa a maior análise até hoje sobre extinções locais associadas às mudanças climáticas. Os autores destacam a necessidade de ampliar esforços de conservação.

Aceleração do aquecimento e desequilíbrio

A principal explicação é a velocidade do aquecimento. Em 25 anos, a temperatura nas zonas tropicais subiu cerca de 1,8°C, enquanto nas temperadas houve aumento de aproximadamente 3,3°C, quase o dobro.

O ritmo acelerado parece ter invertido padrões observados anteriormente. O estudo aponta que o aquecimento mais rápido nas latitudes altas prejudica a capacidade de deslocamento de espécies para áreas mais frias.

Mais de 70% das espécies estudadas permaneceram em seus territórios mesmo com o aquecimento. Barreiras como estradas e cidades fragmentam habitats, dificultando migração entre áreas climáticas.

Mesmo com altitudes elevadas, muitas espécies de regiões montanhosas esbarram na falta de espaço para continuar o deslocamento. Obstáculos estruturais tornam inviável a migração em grande parte dos casos.

Diferenças entre tropicais e temperadas

Em áreas tropicais, as extinções locais concentram-se em zonas quentes de cada espécie. Já nas temperadas, os registros aparecem em vários pontos da distribuição, sugerindo impactos mais dispersos.

Entre as espécies avaliadas, 45% desapareceram localmente nas áreas quentes onde antes ocorriam com maior frequência. Em insetos, vertebrados terrestres e espécies marinhas, esse índice superou metade.

Conservação e monitoramento permanecem essenciais, pois os resultados não envolvem previsões futuras, mas mudanças já verificados. A biodiversidade já está se reorganizando diante da crise climática.

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