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Empresa afirma ter filtrado microplásticos do sangue

Circulate Health afirma ter removido microplásticos do sangue em estudo com 114 pacientes, mas limitações de detecção, riscos e possível viés desafiam a eficácia

A articulista afirma que em termos de saúde pública, o procedimento invasivo, caro e arriscado para retirada de microplásticos é impensável; na imagem, bolsas de sangue
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  • Circulate Health informou que 114 pacientes submetidos à plasmaférese tiveram queda na concentração de microplásticos nas amostras coletadas antes e depois do procedimento.
  • Segundo a empresa, o estudo é o primeiro com ensaios clínicos documentados em humanos a indicar uma terapia para remoção de plásticos do corpo.
  • O procedimento envolve cateteres intravenosos, dura de uma a três horas por sessão e apresenta riscos como problemas de coagulação, queda de cálcio, infecção e variações da pressão arterial.
  • O estudo aponta limitações: o limite de detecção é de 1 μm, não sendo possível confirmar remoção de nanopartículas, e o uso de tubos plásticos pode liberar novos microplásticos durante o processo.
  • O texto contextualiza o tema com histórico da plasmaférese na medicina, sua disseminação no biohack, alerta da FDA em 2019 e debates sobre eficácia e riscos, incluindo casos de celebridades associadas à prática.

A Circulate Health afirma ter filtrado microplásticos do sangue em um estudo com 114 pacientes submetidos a plasmaférese. Em amostras coletadas antes e depois do procedimento, houve queda observada na concentração de partículas em casos de níveis moderados a altos. A empresa também comercializa testes de detecção de microplásticos no sangue.

O estudo é apresentado pela Circulate como o primeiro ensaio clínico documentado em humanos que aponta uma terapia para remoção de plásticos do organismo. O CEO e cofundador Brad Younggren concedeu entrevista ao Axios, destacando o caráter pioneiro da pesquisa.

A plasmaférese exige cateteres intravenosos e dura entre 1 e 3 horas por sessão. Entre os riscos estão coagulação, queda de cálcio, infecção e variações da pressão arterial. O processo substitui parte do plasma por albumina e solução salina, visando eliminar toxinas ligadas às partículas.

A lógica, segundo a disseminação da Circulate, é que microplásticos se ligam a proteínas no sangue; ao trocar o plasma, as toxinas associadas seriam removidas. O estudo, porém, aponta limitações de detecção: o método mede apenas partículas acima de 1 μm, não permitindo concluir sobre nanopartículas.

Limitações e riscos adicionais

O texto do estudo aponta que o uso de tubos de plástico no processo pode reintroduzir microplásticos na corrente sanguínea. Além disso, partículas que chegam aos tecidos podem se acumular em órgãos como fígado e rins, conforme pesquisa de 2021 da USP.

A pesquisa também traz um alerta sobre possível viés de conflito de interesses: 7 dos autores são ligados à empresa financiadora, enquanto 4 são vinculados às clínicas onde os dados foram coletados. Tais informações devem ser consideradas na leitura dos resultados.

Historicamente, a plasmaférese foi desenvolvida na década de 1950 e consolidada para usos médicos a partir dos anos 1970, com aplicações em doenças autoimunes e em preparos para transplante de medula. A divulgação recente ganhou destaque no contexto do biohack e de tratamentos de detox.

Contexto regulatório e controvérsia

Nos Estados Unidos, a prática ganhou atenção na década de 2010, com promoções de plasma de jovens para idosos. Em 2019, o FDA emitiu alerta sobre a falta de eficácia e os riscos envolvidos. Gruas de celebridades também contribuíram para a discussão pública, com posicionamentos variados.

Especialistas destacam que o ganho real pode estar na depuração do sangue, não na adição de algo ao corpo. Em paralelo, a comunidade científica ressalta a necessidade de métodos de detecção mais precisos e controles rigorosos para evitar interpretações equivocadas.

A discussão sobre microplásticos no corpo ganhou relevo nos últimos anos, com estudos que questionam metodologias e resultados. O Guardian e outras fontes enfatizam a importância de avanços científicos responsáveis e de evitar usos terapêuticos não comprovados.

As informações disponíveis indicam que, embora haja interesse em terapias para remoção de microplásticos, ainda existem dúvidas sobre eficácia, segurança e impacto a longo prazo. A Circulate Health segue apresentando seus dados como evidência inicial de uma abordagem potencial.

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