- Paleontólogos da Universidade de Manchester identificaram o fóssil de 415 milhões de anos como o escorpião pré-histórico gigante Praearcturus gigas, possivelmente o maior do mundo.
- O fóssil foi encontrado em Herefordshire, Inglaterra, na década de 1870 e já passou por longos debates, tendo sido classificado como isópode gigante antes de confirmar como escorpião.
- A confirmação veio com a comparação com Eramoscorpius brucensis, um escorpião gigante canadense descrito em 2015, que apresentou estrutura semelhante na região inferior do corpo.
- Vivendo no Devoniano Inferior, início da vida em terra firme, o animal possuía nadadeiras (epímeros) que lembram lagostas e caranguejos, sugerindo predadores que caçavam na água.
- A extinção não é precisa, mas há indícios de que o Praearcturus gigas possa ter existido por mais cerca de quarenta milhões de anos, conforme fósseis associados encontrados no País de Gales.
O Museu de História Natural de Londres confirmou que paleontólogos da Universidade de Manchester identificaram o fóssil datado em 415 milhões de anos como pertencente a um escorpião pré-histórico gigante, possivelmente o maior já encontrado. O animal, batizado de Praearcturus gigas, viveu no Devoniano Inferior e dominou o ambiente terrestre da região que hoje corresponde à Inglaterra e ao País de Gales.
O fóssil foi encontrado em Herefordshire, no oeste da Inglaterra, na década de 1870, e esteve no centro de debates entre cientistas por mais de um século. Durante muitos anos, foi classificado como um isópode gigante devido ao estado de preservação, com pinças de 16 cm e um corpo próximo de um metro.
A pesquisa publicada na revista Palaeontology, no início de junho, liderada pelo paleontólogo Richie Howard, resolveu a dúvida. A equipe revelou que o exemplar corresponde a um escorpião gigante, com evidências semelhantes a um outro fóssil canadense, Eramoscorpius brucensis, analisado em 2015.
Mudança de perspectiva sobre a evolução
Howard explica que o Praearcturus existe já numa era em que a vida terrestre começava a se firmar, antes da saída de répteis, mamíferos e aves da água. A descoberta sugere que o tamanho extremo pode ter ocorrido pela ausência de predadores grandes da época.
O estudo acompanha um acompanhamento histórico de fósseis analisados desde 2008, com reavaliações de material de Birmingham, Herefordshire e Tredomen Quarry. A confirmação do escorpião gigante altera a compreensão sobre ecossistemas terrestres do Devoniano Inferior.
A evidência sugere que, apesar de dominar parte do ambiente, o Praearcturus gradualmente perdeu espaço à medida que novos predadores surgiram. Fragmentos de fósseis de Wales indicam que a espécie pode ter coexistido por mais cerca de 40 milhões de anos.
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