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Estudo oferece novas explicações sobre sacrifícios infantis dos Incas

Estudo aponta que a capacocha, sacrifícios de crianças, serviu para consolidar o poder dos governantes durante a expansão inca, não por desastres naturais

O conjunto evidencia a complexidade simbólica e ritual das práticas funerárias incas associadas aos sacrifícios de alta montanha
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  • A capacocha era uma cerimônia inca em que crianças escolhidas para serem sacrificadas faziam longas peregrinações a montanhas sagradas, sendo enterradas com oferendas.
  • O estudo mostra que esses sacrifícios ocorreram durante o auge da expansão do império e podem ter ajudado a consolidar o poder dos governantes.
  • Em Llullaillaco, as condições de frio intenso preservaram os corpos, permitindo estudar esqueletos, cabelos, tecidos e objetos do ritual.
  • Não há evidências de ligação com erupções, secas ou desastres naturais, sugerindo que religião e política estavam entrelaçadas na administração do império.
  • A datação foi aprimorada ao analisar plantas depositadas com o corpo (folhas de coca, mandioca e milho), usadas para estimar o período de enterramento com maior precisão.

O estudo revisita o ritual capacocha, prática inca de sacrifícios infantis, com foco no auge do Império. Pesquisadores descrevem que crianças fisicamente perfeitas eram escolhidas para peregrinar a montanhas sagradas, onde eram sacrificadas e enterradas junto a oferendas ricas. O objetivo era conectar o mundo humano ao divino.

As análises novas mostram que as cerimônias ocorriam em período de expansão imperial, sugerindo que os sacrifícios também serviam para fortalecer o poder dos governantes. A pesquisa indica que religião e política estavam fortemente entrelaçadas na administração do império, indo além de devoção religiosa.

O estudo destaca ainda que o caso de Llullaillaco preservou corpos, cabelos, tecidos, alimentos e artefatos graças às condições frias e úmidas da região de alta montanha. Não há evidências de relação com erupções, secas ou desastres naturais, reforçando a hipótese de uso sociopolítico.

Capacochas: o que era

Descreve-se em crônicas espanholas a capacocha como cerimônia de grande importância. Crianças e jovens considerados fisicamente aptos eram selecionados para longas peregrinações até montanhas sagradas, onde eram enterrados com ricas oferendas.

O ritual consistia em deslocamentos longos a altitudes extremas, vistas como locais de ligação entre o humano e o divino. Em Llullaillaco, o frio extremo favoreceu a preservação dos corpos estudados por especialistas.

Os pesquisadores analisaram não apenas esqueletos, mas também cabelos, tecidos, alimentos e objetos associados aos rituais. A combinação de evidências aponta para uma prática complexa, com funções administrativas além da devoção religiosa.

Datação e método

Para estimar datas, a equipe utilizou plantas depositadas com o corpo da adolescente, como folhas de coca, mandioca e milho, que absorvem carbono em uma única estação de crescimento. Isso proporcionou intervalos mais precisos que métodos tradicionais.

Também foram medidos isótopos de carbono, nitrogênio e oxigênio para entender as condições ambientais. Modelos de calibração regional, baseados na circulação atmosférica hemisférica, aumentaram a confiabilidade das estimativas.

Perspectivas futuras

Novas datões com amostras adicionais podem reduzir ainda mais a faixa temporal. Assim, pesquisadores talvez consigam associar o sacrifício a eventos políticos específicos do Império Inca, ampliando o entendimento sobre o papel da capacocha no controle imperial.

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