- A transição digital em saúde é heterogênea e depende de contexto, território, cultura, investimentos e políticas públicas.
- A primeira onda é a organização da informação em papel, ainda presente em muitos locais com registros fragmentados ou usados de forma eficiente conforme o contexto.
- A segunda onda envolve a migração de papel para sistemas digitais, nem sempre com qualidade, integração ou suporte técnico adequados.
- A terceira onda diz respeito ao uso de normas e padrões para interoperabilidade entre serviços de saúde, com infraestrutura tecnológica mais estável e maior literacia digital.
- A quarta onda é o uso computacional e preditivo de dados, com algoritmos e inteligência artificial para antecipar riscos e subsidiar decisões, coexistindo com as outras camadas no mesmo sistema de saúde.
- Dados internacionais apontam desigualdades globais: cerca de 730 milhões de pessoas não possuem eletricidade e 2,2 bilhões não estão conectadas à internet, indicando diferentes ritmos de transição.
A transição digital em saúde não é igual em todos os contextos. A professora Maria Cristiane Barbosa Galvão, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, afirma que entender esse processo orienta políticas públicas, investimentos e práticas de cuidado. A percepção de como a tecnologia entra no atendimento depende do cenário local.
Ela alerta que narrativas de mercado costumam apresentar uma evolução linear, mas a história mostra coexistência de tecnologias. Sistemas digitais não eliminam práticas analógicas, e até IA pode ficar frágil se depender de conteúdos não validados.
Ao ampliar a compreensão, a pesquisadora destaca que desigualdades globais tornam a ideia de avanço homogêneo inadequada. Enquanto alguns discutem inteligência artificial na saúde, milhões ainda carecem de serviços básicos. Transições digitais são heterogêneas por contexto.
Ondas da transição digital em saúde
A primeira onda envolve a organização da informação em papel. Ainda hoje, instituições operam com registros fragmentados ou mantêm o papel por questões de energia e infraestrutura instáveis.
A segunda onda é a migração para sistemas digitais a partir do papel. A digitalização nem sempre é integrada ou de alta qualidade, refletindo problemas de infraestrutura e de suporte técnico.
A terceira onda introduz normas e padrões para interoperabilidade. Classificações e ontologias ganham espaço, exigindo infraestrutura estável, equipes capacitadas e maior literacia digital.
A quarta onda envolve uso computacional e preditivo com IA para antecipar riscos e orientar decisões. A análise de dados amplia escala, velocidade e automação, mas depende de dados confiáveis e bem estruturados.
Essas quatro camadas costumam coexistir dentro de uma mesma instituição. Informações podem estar em papel, em sistemas digitais, em interoperabilidade plena ou em foco de predição baseada em IA, tudo ao mesmo tempo.
Para interpretar o cenário, é essencial conhecer onde cada instituição está situada. Assim, é possível planejar caminhos realistas, avaliando benefícios, riscos e limitações de cada etapa, com base em evidências científicas.
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