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Verme das profundezas resiste a calor extremo e sobrevive

Verme de Pompeia resiste a calor extremo em chaminés hidrotermais, ajusta posição e depende de bactérias simbióticas para proteção e energia

Escondido nas profundezas do oceano, longe da luz do sol e sob pressão intensa, vive o verme-de-Pompeia, um dos animais mais intrigantes já descritos pela biologia moderna – Olivier Dugornay/Wikimedia Commons
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  • O verme-de-Pompeia (Alvinella pompejana) vive em chaminés hidrotermais no fundo do oceano, onde a água pode variar de cerca de 2°C a mais de 80°C.
  • Ele constrói tubos e alterna entre zonas quentes e frias, criando um microambiente térmico relativamente estável, com partes do corpo suportando temperaturas acima de 40°C por longos períodos.
  • A adaptação envolve proteínas que funcionam sob calor intenso e a formação de gradientes de temperatura, que ajudam a manter processos biológicos essenciais.
  • O animal mantém uma relação simbiótica com bactérias na região dorsal, que oferecem proteção química, alimento e atuam como barreira física.
  • O estudo do verme e de suas bactérias associadas ajuda a entender os limites da vida, com implicações para biotecnologia e astrobiologia.

O verme-de-Pompeia, Alvinella pompejana, vive nas profundezas do oceano, onde a luz não alcança e a pressão é elevada. Ele sobrevive em ambientes com água extremamente quente, próximo a fontes hidrotermais.

Esses vermes habitam estruturas chamadas chaminés hidrotermais, localizadas no fundo do mar. Lá, jatos de água superaquecida variam em poucos centímetros, indo de cerca de 2 °C até mais de 80 °C. Mesmo assim, ocupam zonas de transição térmica.

Em termos de tamanho, o verme é pequeno, com corpo segmentado e presença de cerdas finas. Constrói tubos sobre as paredes externas das chaminés e alterna entre regiões quentes e frias para manter um microambiente estável.

Habitat e adaptação térmica

A chave para a sobrevivência está na adaptação proteica e na organização corporal. Proteínas ajustadas permitem funcionamento sob calor elevado, evitando desnaturação. Gradientes de temperatura ajudam a manter regiões mais frias para funções vitais.

Ao se posicionar na zona de transição, o verme aproveita temperatura intermediária, abundância de compostos químicos e proteção física oferecida pelos tubos. Essa estratégia transforma a instabilidade térmica em recurso ecológico.

Relação com bactérias protetoras

A superfície dorsal do verme é recoberta por colônias bacterianas. Essas micro-organismos formam um manto que protege, fornece alimento e atua como barreira adicional a variações químicas.

A relação é simbiótica: as bactérias utilizam compostos tóxicos presentes na água hidrotermal e ajudam a reduzir a exposição do hospedeiro. Parte da biomassa bacteriana serve como fonte de energia para o verme.

Importância científica

O estudo do verme ajuda a entender os limites da vida. Pesquisas analisam proteínas, membranas e reparos celulares que funcionam em temperaturas extremas, sem depender de fotossíntese.

Modelos com o verme e suas bactérias associadas ajudam a avaliar a possibilidade de vida em ambientes extremos de outros planetas, além de oferecer enzimas termoestáveis para aplicações industriais.

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