- Estudo com 95 jovens adultos, com cerca de oito anos de uso do Instagram, avaliou se a exposição a selfies, filtros e imagens editadas altera a percepção de si.
- Em um experimento de realidade virtual, participantes viram rostos de outras pessoas para confundir a percepção do próprio rosto.
- Quem tinha mais tempo de uso da rede apresentou maior tendência a reconhecer traços do rosto desconhecido como seus.
- Cientistas destacam que isso não significa perda de identidade, mas sugere que exposição prolongada a imagens padronizadas pode influenciar o reconhecimento facial.
- Pesquisadores da Università Cattolica del Sacro Cuore, na Itália, apresentaram os resultados na revista Computers in Human Behavior.
O estudo italiano investiga se anos de contato com selfies, filtros e imagens editadas podem influenciar a percepção de si. Pesquisadores da Università Cattolica del Sacro Cuore analisaram como esse acúmulo de exposição afeta o reconhecimento facial. Os resultados sugerem efeitos além da autoestima.
Em um experimento de realidade virtual, participantes foram expostos a situações que misturavam temporariamente características do próprio rosto com as de outra pessoa. Quem usava Instagram por mais tempo mostrou maior tendência a esse efeito.
O levantamento envolveu 95 jovens adultos com cerca de oito anos de uso da rede social. Nas experiências virtuais, o rosto alheio parecia carregar traços do rosto do participante. Quanto maior o tempo de uso, maior a propensão ao fenômeno.
Possíveis efeitos do Instagram
Os autores apontam que anos de exposição a imagens padronizadas podem influenciar o modo como o cérebro reconhece o próprio rosto. Essa capacidade de reconhecer a própria imagem ocorre de forma quase automática.
Apesar disso, os pesquisadores ressaltam cautela na interpretação. Não é possível afirmar que o Instagram cause diretamente o fenômeno, já que os dados mostram apenas associação entre tempo de uso e a tendência observada.
As descobertas ampliam o debate além da autoestima, ao questionar se ambientes digitais centrados na aparência moldam o reconhecimento de quem somos. O estudo visa entender esses impactos de forma mais ampla.
Detalhes da pesquisa
A pesquisa foi conduzida por especialistas da Università Cattolica del Sacro Cuore, na Itália, e publicada na revista Computers in Human Behavior. Os autores destacam a necessidade de novas investigações para confirmar relações de causalidade.
A análise utilizou um conjunto de tarefas de realidade virtual para avaliar a percepção facial. O estudo não fornece evidências de que o uso prolongado do Instagram seja prejudicial, mas sugere caminhos para futuras investigações.
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