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Calor extremo atinge um bilhão de pessoas a mais em 50 anos

Calor extremo expõe hoje um bilhão de pessoas a mais por ano, com noites mais quentes e estresse térmico prolongado, elevando riscos à saúde

O sol nasce atrás de um termômetro pela manhã (imagem ilustrativa). — Foto: Thomas Warnack/dpa via Getty Images
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  • O calor extremo já expõe cerca de um bilhão de pessoas a mais por ano a pelo menos um dia de calor extremo em comparação com a década de 1970, segundo um estudo na Nature Climate Change que usa o Índice Climático Térmico Universal (UTCI).
  • O calor sentido está ficando mais intenso, frequente e prolongado em quase todos os continentes, incluindo noites tropicais com temperaturas mínimas acima de 20°C.
  • Em regiões como África, América Central, sul da Europa e América do Sul, há até cinquenta dias adicionais de estresse térmico por ano em relação aos anos 1970.
  • As noites aquecem mais rápido que os dias: desde os anos setenta, o calor noturno aumentou em média 0,32°C por década, enquanto o diurno subiu 0,27°C por década.
  • A adaptação é ressaltada como necessária, com redução de emissões e medidas como alertas de calor e planos de saúde pública; hoje cerca de 70% da população mundial enfrenta pelo menos noventa dias de forte estresse térmico por ano, contra 55% na década de 1970.

O calor extremo já atinge mais pessoas e permanece por mais tempo. Um estudo publicado na Nature Climate Change aponta que, desde a década de 1970, cerca de um bilhão de pessoas a mais ficam expostas anualmente a pelo menos um dia de calor extremo. O ganho não se resume à temperatura; o calor percebido pelo corpo também aumenta.

Os pesquisadores utilizaram o Índice Climático Térmico Universal, que avalia o calor sentido ao considerar umidade, vento, radiação solar e a resposta do corpo humano. O estudo indica mais dias de estresse térmico e noites tropicais acima de 20°C em várias regiões.

Entre os destaques, o aumento de noites quentes ocorre mais rapidamente que o de dias quentes. A temperatura percebida nas noites elevou-se 0,32°C por década, ante 0,27°C por década durante o dia, desde os anos 1970.

Essa assimetria reduz a capacidade de recuperação do corpo entre episódios de calor intenso, elevando riscos de desidratação e de doenças cardiovasculares, respiratórias e mentais. Eventos compostos, em que dias quentes acompanham noites quentes, também cresceram.

Regiões da África, América Central, sul da Europa e parte da América do Sul apresentaram até 50 dias adicionais de estresse térmico por ano em relação aos anos 1970. Na Namíbia, Angola, Tanzânia, Quênia, Uganda, México e outros locais houve aumento expressivo.

Na Europa, países como Espanha, Itália, Grécia e Turquia registram até 40 dias a mais de forte estresse térmico anualmente. Em boa parte do continente, a temporada de calor agora dura quase um mês a mais do que há cinco décadas.

Globalmente, a população que vivencia ao menos um dia de calor extremo por ano chegou a 22% hoje, frente a 16% na década de 1970. Considerando o crescimento populacional, isso soma cerca de um bilhão de pessoas adicionais. O Federer de 90 dias com forte estresse térmico subiu de 55% para 70%.

Os autores ressaltam que o aumento da exposição não decorre apenas do crescimento populacional, pois a intensificação do calor também contribui significativamente para ampliar o número de afetados. O estudo sugere que as estimativas podem ainda ser conservadoras.

Adaptação é cada vez mais necessária. Pesquisadores defendem reduzir emissões de gases de efeito estufa e ampliar medidas de adaptação, como alertas de calor, planos de saúde pública e avaliações de risco climático, para reduzir impactos na população.

Segundo a climatologista Jennifer Francis, o calor não é apenas mais intenso, mas também mais úmido, o que dificulta o resfriamento natural do corpo. A pesquisa reforça a importância de ações rápidas para enfrentar o aquecimento global com foco em mitigação e resiliência.

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