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Exercício de apenas cinco minutos por dia é questionável, diz estudo

Especialista contesta estudo que diz que cinco minutos diários bastam; recomenda 20–40 minutos diários de atividade variada (cardio, força e flexibilidade)

‘While I love the idea of ‘only five minutes’, it’s simply not true from the data we have.’ Photograph: Mike Hewitt/Getty Images
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  • Um estudo sobre cinco minutos diários de exercício sugere benefícios, mas não afirma que isso basta para manter a saúde a longo prazo.
  • Os autores combinaram dados de sete grandes estudos nos Estados Unidos, Noruega e Suécia (cerca de 40 mil participantes) com dados do UK Biobank (95 mil pessoas).
  • Eles modelaram a parcela de mortes evitadas com um aumento de cinco minutos de atividade moderada, estimando redução de 6% a 10% nas coortes multicountry e efeito menor no Biobank.
  • O método utilizou dados existentes de atividade física para estimar efeitos, não acompanhou indivíduos sedentários que passaram a fazer cinco minutos diários.
  • A Organização Mundial da Saúde recomenda cerca de 20 a 40 minutos de atividades moderadas por dia (ou 150 a 300 minutos por semana) e defende que, embora qualquer movimento seja melhor que nada, cinco minutos não são suficientes para manter a saúde plena a longo prazo.

Prof Devi Sridhar, professora de saúde pública global da Universidade de Edimburgo, avalia estudo que sugere cinco minutos diários de exercício. Ela afirma ser improvável que tais dados se traduzam em rotina prática para a maioria.

A crítica da pesquisadora é que o estudo não acompanhou indivíduos sedentários por meio de um experimento controlador. Em vez disso, usou dados existentes para modelar a relação entre atividade e mortalidade, extrapolando efeitos para diferentes perfis.

Ponto central

O artigo em questão utiliza dados de cerca de 135 mil participantes em várias fontes, incluindo sete grandes estudos nos EUA, Noruega e Suécia, com about 40 mil pessoas, além do UK Biobank com 95 mil.

Os autores estimam que um acréscimo de cinco minutos de atividade moderada poderia reduzir entre 6% e 10% as mortes nos estudos multicountry, com efeito menor na base de dados britânica.

Limitações da abordagem

Apesar da sofisticação metodológica, o estudo não avaliou um grupo que passou a realizar cinco minutos de exercício diário e monitorou resultados ao longo do tempo. A avaliação baseia-se em dados já coletados de atividade física.

A pesquisadora lembra que o modelo pode indicar que mais movimento traz ganhos, especialmente entre quem é mais sedentário, mas não sustenta uma recomendação prática de rotina de cinco minutos.

O que falta na leitura

A autora destaca que a ênfase no tempo pode desvalorizar o tipo de movimento necessário. O triângulo de atividade — cardio, força e flexibilidade — é essencial para benefícios variados.

A Organização Mundial da Saúde orienta adultos a manter 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada, ou 20 a 40 minutos diários, como meta prática e efetiva para várias métricas de saúde.

Conclusões e recomendações

Mesmo com o interesse em simplificar hábitos, a pesquisadora afirma que cinco minutos não substituem uma rotina completa. O objetivo é manter o bar de acesso à atividade, sem torná-lo irrelevante pela sua simplicidade.

Ela sugere que, no dia a dia, é preciso encontrar tempo suficiente para movimentos que envolvam todo o corpo, ao longo da semana. A ênfase continua na prática segura e sustentável.

Prof Devi Sridhar encerra ressaltando que o benefício da atividade física depende de consistência e da combinação de tipos de movimento, não apenas de duração.

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