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Fungo da esporotricose, conhecido por afetar gatos, aparece em animais selvagens

Fungo Sporothrix encontrado em órgãos internos de animais silvestres amplia percepção de circulação da esporotricose na natureza e impactos à saúde pública

A descoberta de fungos do gênero Sporothrix em órgãos internos de animais silvestres reacendeu o debate sobre a circulação da esporotricose na natureza e seus impactos na saúde pública – depositphotos.com / katerynakon
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  • Fungos do gênero Sporothrix foram encontrados em órgãos internos de animais silvestres, expandindo o entendimento sobre a circulação da esporotricose na natureza.
  • O estudo, apoiado pela FAPESP, identificou três espécies: Sporothrix brasiliensis, Sporothrix globosa e Sporothrix schenckii.
  • A descoberta sugere que a esporotricose pode ter transmissão e manutenção em fauna nativa, não se limitando a ambientes urbanos ou a animais domésticos.
  • A presença de Sporothrix em animais silvestres levanta a possibilidade de fauna atuar como reservatório de longo prazo, com potencial de disseminação.
  • Recomenda-se vigilância integrada em saúde humana, animal e ambiental, além de ampliar monitoramento em áreas de interface entre cidade e mata.

A esporotricose, doença fúngica conhecida sobretudo em gatos, ganhou novas evidências ao ser detectada em órgãos internos de animais silvestres. O achado foi apresentado em artigo na revista Mycopathologia, com apoio da FAPESP, e amplia o debate sobre a circulação do fungo no ambiente natural.

A micose é causada por fungos do gênero Sporothrix, que vivem no solo, galhos e matéria orgânica, e podem infectar pele, ferimentos ou mucosas. Em humanos, a forma mais comum é a cutânea linfática, com lesões que podem evoluir sem tratamento adequado.

A descoberta aponta que órgãos internos abrigam fungos do gênero Sporothrix, não apenas feridas externas. Três espécies foram identificadas: S. brasiliensis, S. globosa e S. schenckii, sugerindo formas mais sistêmicas da infecção na fauna nativa.

Esporotricose em fauna silvestre: o que muda

S. brasiliensis, associada a casos felinos urbanos, foi encontrada em ambiente silvestre, indicando potencial reservatório natural do patógeno. A presença de S. globosa, com ocorrência global, também foi confirmada, ampliando o alcance geográfico da compreensão do problema.

Já S. schenckii, classicamente conhecido como agente da doença, foi detectado em mamíferos e aves, apontando alta adaptabilidade do fungo. A tríade de espécies reforça a necessidade de vigilância integrada entre saúde humana, animal e ambiental.

Implicações para saúde pública e monitoramento

A detecção em animais silvestres eleva o risco de contato com pets e pessoas, especialmente em áreas de transição entre natureza e cidades. Casos em cães, gatos e humanos podem aumentar com a circulação entre habitats.

O estudo sugere ações de monitoramento: ampliar notificações, treinar equipes para coleta em necropsias, integrar bancos de dados e acompanhar áreas de fronteira entre cidade e mata. A vigilância passa a adotar a abordagem Saúde Única.

A pesquisa enfatiza que a esporotricose merece atenção crescente, atravessando ambientes urbanos e silvestres. O aprofundamento em genômica dos fungos e a cooperação entre microbiologia, ecologia e saúde pública são chave para entender a dispersão de Sporothrix.

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