- O cometa interestelar 3I/ATLAS atravessou o Sistema Solar e pode ter se formado entre 10 e 12 bilhões de anos atrás.
- Observações do telescópio espacial James Webb sugerem que o 3I/ATLAS é mais antigo que o Sol, indicando origem em uma era inicial da Via Láctea.
- A análise com o instrumento NIRSpec liberou gases ao derreter, funcionando como a impressão digital química do objeto.
- O cometa apresenta deuterio em níveis cerca de 30 vezes maiores do que em cometas do Sistema Solar, apontando para formação em região fria abaixo de 30 kelvin.
- A proporção de carbono-13 é menor do que em objetos formados mais recentemente, corroborando a hipótese de origem muito antiga.
O cometa interestelar 3I/ATLAS cruzou o Sistema Solar apenas de passagem, mas pode mudar o que se sabe sobre a história da nossa galáxia. Observações do telescópio espacial James Webb indicam que ele é mais antigo do que o Sol, sugerindo origem muito anterior.
A análise aponta que o 3I/ATLAS se formou entre 10 e 12 bilhões de anos atrás, quando a Via Láctea ainda vivia fases de formação de estrelas. O objeto é, portanto, uma espécie de cápsula do tempo cósmica que chegou às nossas bandas de água, gelo e poeira.
O cometa é apenas o terceiro visitante interestelar confirmado. Diferentemente dos cometas do Sistema Solar, ele veio de outro sistema estelar e seguirá viagem, deixando o nosso entorno após a passagem.
A partir do calor do Sol, os gelos do 3I/ATLAS evaporaram, liberando gases que o instrumento NIRSpec do Webb pode analisar. Essa assinatura química funciona como uma impressão digital do objeto.
O 3I/ATLAS apresentou níveis elevados de deutério, cerca de 30 vezes a média observada em cometas solares. Isso indica formação em uma região fria da galáxia, com temperaturas abaixo de 30 kelvin.
Além disso, a proporção de carbono no cometa difere de objetos formados mais recentemente. O menor carbono-13 sugere origem em época antiga da Via Láctea, quando a química galáctica era diferente.
Em observações divulgadas neste ano, o Webb também detectou metano em um objeto interestelar pela primeira vez, antes escondido sob a superfície. A quantidade encontrada foi considerada incomum entre cometas conhecidos.
Os dados mostram ainda que o 3I/ATLAS é rico em dióxido de carbono, sinal de condições de formação distintas das que deram origem aos planetas do Sistema Solar. Cada elemento do cometa revela o ambiente de sua origem.
Uma hipótese aponta que a estrela ao redor da qual o cometa nasceu pode não existir mais hoje em dia.
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