- Pesquisadores da Unesp e do IGTPAN desenvolveram um sistema que capta água da umidade do ar usando hidrocélulas e o polímero PANSAP, produzido a partir de resíduos têxteis.
- O protótipo produz entre quatro e seis litros de água por dia com consumo energético baixo.
- O polímero absorve cerca de 0,43 grama de água por grama de material em ambientes com umidade relativa entre sessenta e noventa por cento.
- A água é obtida por condensação após aquecimento entre cinquenta e cinco e oitenta graus Celsius; o sistema pode funcionar com energia solar, em configuração híbrida.
- A tecnologia já tem patente e será testada em campo na região de Lima, no Peru, em uma comunidade que depende de captação artesanal de neblina e caminhões-pipa.
A Unesp, em parceria com o IGTPAN, desenvolveu um sistema que produz água potável a partir da umidade do ar. O protótipo utiliza hidrocélulas que absorvem vapor e, com aquecimento moderado, o convertem em água líquida. O estudo foi publicado no NPJ Clean Water.
O projeto é desenvolvido em Jacareí (SP) com participação de pesquisadores da Unesp e do IGTPAN, instituição privada de pesquisa. O objetivo é oferecer abastecimento descentralizado em regiões áridas ou com acesso limitado a fontes tradicionais de água.
A técnica usa o polímero PANSAP, criado a partir de fibras têxteis recicladas. Cada grama do material pode absorver entre 200 e 300 gramas de água, gerando água em maior escala por meio de placas em módulos chamados de hidrobaterias.
Nos testes de quase um ano, o sistema produziu entre 4 e 6 litros por dia, com consumo energético baixo. A água obtida é de alta pureza, resultante principalmente de condensação, com baixos níveis de amônia.
Segundo Valquiria Campos, professora da Unesp Sorocaba, o método oferece opção viável para regiões com custo elevado de infraestrutra e energia, como deserts e comunidades isoladas. Nilton Granado, do IGTPAN, ressalta a relevância para grandes cidades no futuro.
O polímero, produzido a partir de resíduos têxteis, já teve patente concedida no Brasil e nos EUA. A equipe planeja um teste de campo na região de Lima, no Peru, em comunidade que atualmente depende de captação de neblina e caminhões-pipa.
A energia do sistema pode ser alimentada por combustível solar. No protótipo, um conjunto de painéis fotovoltaicos atende a demanda energética, tornando o equipamento apto a operar conectado à rede ou de forma autônoma.
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