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Canetas para tratar obesidade podem influenciar a evolução do câncer

Estudos sugerem que agonistas de GLP‑1 podem reduzir a progressão metastática de alguns cânceres, mas evidência é preliminar e não orienta prática clínica

Cientistas têm pesquisado se o uso de canetas para tratamento do diabetes e da obesidade pode influenciar a evolução de diferentes tipos de câncer. Foto: Moderngolf1984/Adobe Stock
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  • Estudos associam agonistas de GLP-‑1, como semaglutida e tirzepatida, à menor risco de progressão metastática em alguns tumores, principalmente mama, pulmão, colorretal e fígado.
  • Em estudo apresentado no encontro da Asco, 12.112 pacientes com câncer relacionado à obesidade foram avaliados; em quatro tipos houve menor evolução para metástase entre usuários das canetas.
  • Percentuais de progressão metastática entre usuários vs. pacientes com outras medicações: pulmão 10% vs 22%; mama 10% vs 20%; colorretal 13% vs 22%; fígado 19% vs 28%.
  • Benefícios observados podem refletir efeito direto das drogas ou consequência da perda de peso e melhoria metabólica; não há comprovação de causalidade.
  • Ainda é cedo para mudar a prática clínica; as evidências vêm de estudos retrospectivos e não substituem pesquisas prospectivas que confirmem benefício específico para câncer.

O uso de canetas para tratar obesidade e diabetes pode influenciar a evolução de alguns cânceres, segundo estudos apresentados. Pesquisadores avaliam se agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, reduzem o risco de progressão metastática. Resultados são preliminares e ainda não comprovados.

A pesquisa foi apresentada na edição deste ano da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada nos EUA entre 29 de maio e 2 de junho. O estudo envolveu 12.112 pacientes com sete tipos de tumores relacionados à obesidade, em estágios iniciais ou localmente avançados.

Foram comparados usuários de GLP-1 com pacientes que usavam outras medicações para diabetes, buscando entender impactos na progressão para metástase. Em quatro dos sete tipos analisados, houve menor risco de disseminação entre quem utilizou as canetas.

Resultados atuais e nuances

No câncer de pulmão, 10% dos usuários evoluíram para metástase, frente 22% no grupo controle. No câncer de mama, 10% versus 20%. No colorretal, 13% contra 22%. No fígado, 19% versus 28%. Em quatro tipos, houve redução entre 38% e 50% no risco de progressão metastática.

Os autores não distinguem se o efeito vem diretamente dos fármacos ou é consequência indireta da perda de peso, menor inflamação e melhoria metabólica. Nutrólogo explica que o ambiente metabólico influencia a inflamação e pode impactar tumores.

Limites das evidências e próximos passos

Especialistas alertam que os dados são de estudos retrospectivos, não prospectivos, o que limita a atribuição de causalidade. É preciso acompanhar pacientes ao longo do tempo em ensaios randomizados para confirmar efeitos e identificar quem pode se beneficiar.

Não há indicação de que esses medicamentos substituam tratamentos oncológicos. A indicação atual continua sendo obesidade e diabetes tipo 2, com acompanhamento médico. A comunidade científica destaca a importância da composição corporal, não apenas da perda de peso, na avaliação de pacientes com câncer.

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