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Close mais próximo do coração da Via Láctea é revelado em vídeo

Imagem do Euclid registra mais de sessenta milhões de estrelas no bojo galáctico, abrindo caminho para futuras detecções de exoplanetas pela microlente gravitacional

A visão de Euclides sobre a região central (ou bojo) da nossa galáxia — Foto: ESA
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  • O telescópio Euclid registrou a visão mais detalhada já obtida do bojo galáctico, reunindo mais de 60 milhões de estrelas, em 23 de março de 2025, com nove apontamentos.
  • O mosaico resultante cobre área maior que a Lua cheia e permite distinguir estrelas individuais em uma região extremamente congestionada.
  • A imagem funciona como um arquivo histórico para futuras missões e pode ajudar a confirmar a existência e a massa de exoplanetas por meio de microlentes gravitacionais.
  • A microlente gravitacional, técnica utilizada, é especialmente eficaz para encontrar planetas frios a grandes distâncias; já aparecem dois mundos nos dados: OGLE-2005-BLG-390Lb e OGLE-2013-BLG-341Lb.
  • O estudo aponta que o conjunto de dados do Euclid servirá de referência para o Telescópio Espacial Roman da Nasa e para monitorar movimentos estelares, ajudando a detectar planetas no futuro.

A observação inédita do centro da Via Láctea foi realizada pelo telescópio espacial Euclid, da ESA, que revelou a visão mais detalhada já obtida do bojo galáctico. O mosaico mostra mais de 60 milhões de estrelas concentradas na região central da nossa galáxia.

A gravação foi feita em 23 de março de 2025, em nove apontamentos da câmera de luz visível. Cada exposição cobriu uma área maior que a Lua cheia, somando-se para formar um retrato do céu com alta resolução mesmo em área extremamente congestionada.

A missão, voltada originalmente para entender a estrutura do Universo, dedicou cerca de 26 horas a essa observação especial do coração da galáxia. O resultado facilita a contagem e a caracterização de estrelas e nebulosas na região central.

Arquivo histórico para futuras missões

Segundo a ESA, a sensibilidade da câmera permitiu distinguir estrelas individuais mesmo em um campo densamente povoado. O registro facilita comparações com observações futuras para confirmar a existência de novos exoplanetas e estimar suas massas.

O Euclid observa uma área cerca de 270 vezes maior por tomada do que o que seria possível com telescópio terrestre de porte similar. Comparativamente, reproduzir esse mosaico no Keck demandaria milhares de horas de observação.

Microlentes e a busca por mundos frios

O principal objetivo científico envolve exoplanetas. A região central é privilegiada porque concentra grande número de estrelas em um único campo. A técnica empregada é a microlente gravitacional, que detecta planetas ao distorcer o sinal luminoso quando um objeto passa à frente.

Pesquisadores destacam que, nos últimos 20 anos, a técnica já revelou quase 300 exoplanetas. A imagem do Euclid inclui 51 sistemas planetários conhecidos e deve apoiar o estudo de muitos outros, com possibilidade de medir massas com maior precisão.

O levantamento também atua como um “arquivo temporal” para futuras missões. Dados podem servir de referência para alinhamentos estelares que ocorrerão, no futuro, em novos eventos de microlente.

Olhar adiante para novas descobertas

A observação do Euclid permite acompanhar o movimento das estrelas ao longo do tempo, o que pode confirmar a presença de planetas. A resolução do observatório facilita separar objetos próximos e medir velocidades estelares, contribuindo para estimativas de massas.

A parceria entre dados do Euclid e futuras missões, como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, pode ampliar a busca por exoplanetas via microlentes. A expectativa é ampliar o conjunto de planetas frios identificados na Via Láctea.

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