- Estudo com mais de 2,6 mil idosos nos Estados Unidos acompanhou intervalos de três, seis e nove anos para avaliar a relação entre personalidade e isolamento social.
- No menor intervalo, indivíduos com maior extroversão e amabilidade apresentaram menor risco de isolamento.
- Em seis e nove anos, traços associados à rigidez, autossuficiência e necessidade de controle estiveram ligados a maior risco de afastamento social.
- Perfil de maior risco: principalmente homens, sem conjugal, renda baixa, além de maior tabagismo, doenças crônicas e diagnóstico de demência.
- O estudo usa o modelo Big Five (OCEAN) para medir personalidade e distingue isolamento social de solidão, destacando fatores de saúde e sociais como influentes.
O isolamento social entre idosos pode ser influenciado por traços de personalidade, além de fatores externos como saúde e renda. Essa conclusão vem de um estudo publicado na JAMA Network Open, que analisou dados de mais de 2,6 mil pessoas com idade avançada nos Estados Unidos ao longo de 3, 6 e 9 anos.
Os pesquisadores observaram que, no intervalo de 3 anos, níveis mais altos de extroversão e amabilidade estavam associados a menor risco de isolamento. Em períodos de 6 e 9 anos, traços ligados à rigidez, auto-suficiência e necessidade de controle foram associados a maior probabilidade de afastamento social.
Perfis com maior risco de isolamento
Os idosos com maior probabilidade de se isolar são principalmente homens, solteiros, com renda baixa e maior incidência de tabagismo, doenças crônicas e demência. O estudo reforça que o contato social atua como fator protetor contra o declínio cognitivo.
Pesquisadores destacam que o isolamento tem implicações para a saúde pública, incluindo piora da qualidade de vida. Traços de personalidade, como organização e autossuficiência, podem paradoxalmente reduzir a participação em atividades sociais em certos casos.
Traços avaliados e interpretação
O modelo Big Five, utilizado na pesquisa, inclui abertura, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo. A extroversão apareceu associada à menor chance de isolamento, sugerindo que vínculos sociais tendem a se manter com maior facilidade nessa característica.
Especialistas afirmam que diferença entre isolamento social e solidão é crucial. A primeira é uma medida objetiva de contatos, enquanto a segunda é percebida subjetivamente pelos indivíduos.
Contribuições para políticas públicas
Os autores ressaltam que personalidade é apenas um dos fatores de risco; condições de saúde, luto e mudanças familiares também influenciam o isolamento. A pesquisa sugere a necessidade de estratégias que promovam integração social na terceira idade.
Para especialistas, ações como grupos terapêuticos, atividades físicas, convívio comunitário e uso de tecnologia podem fortalecer vínculos, especialmente entre idosos com traços mais introspectivos.
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