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Exame de sangue pode reduzir biópsias após transplantes de órgãos

Chegada no Brasil do exame de DNA livre circulante derivado do doador pode reduzir a necessidade de biópsias em transplantes, orientando decisões clínicas

Arthur nasceu saudável, mas precisou receber um novo órgão após um vírus atacar seu coração. Crédito: Amanda Cibele, Anyelle Alves/BP, Carolina Campos, Luiz Fernando Caneo, Fabiana Cambricoli, Felipe Rau | TV Estadão
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  • Chegou ao Brasil o exame de DNA livre circulante derivado do doador (dd-cfDNA), que mede a quantidade de DNA do órgão transplantado no sangue para indicar possíveis complicações.
  • O teste, que custa cerca de R$ 900, foi adaptado e validado pelo Instituto de Imunogenética (Igen), sendo o primeiro laboratório da América Latina a oferecer o serviço na prática clínica.
  • Pode reduzir a necessidade de biópsias, ajudando a equipe médica a decidir quando não há indicação de procedimento invasivo.
  • Valores de referência atuais: rim acima de 1%, coração acima de 0,2% e fígado acima de 2%; para pulmão e pâncreas, ainda não há parâmetros bem definidos.
  • Estudos seguem ocorrendo; em cerca de 400 pacientes transplantados, aproximadamente 80% das biópsias por suspeita de rejeição puderam ser evitadas com o uso do exame; há foco especial em transplantes cardíacos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e no SUS.

O exame de DNA livre circulante derivado do doador (dd-cfDNA) chegou ao Brasil para monitorar pacientes transplantados de forma menos invasiva. O teste mede a quantidade de DNA do órgão que circula no sangue do receptor e aponta sinais de possível dano.

Quando há suspeita de rejeição, a biópsia tradicional costuma ser o procedimento de confirmação. O dd-cfDNA permite identificar situações de risco e orientar a decisão sobre a necessidade de uma nova biópsia, reduzindo procedimentos invasivos.

O laboratório responsável pela implementação no Brasil é o Instituto de Imunogenética (Igen), ligado à Afip. O teste já é utilizado nos Estados Unidos desde 2017 e tem sido adotado na Europa, com adaptação local realizada pelo Igen.

Como funciona o exame

O teste exige apenas uma coleta de sangue. A análise determina o percentual de DNA do doador no sangue, conforme o órgão transplantado.

  • Rim: DNA doador acima de 1% pode indicar maior risco de rejeição.
  • Coração: acima de 0,2% é considerado sinal de alerta.
  • Fígado: acima de 2% demanda atenção especial.

A técnica também é estudada para pulmão e pâncreas, mas ainda não possui valores de referência bem definidos nesses casos.

O dd-cfDNA não substitui a biópsia nem confirma diagnóstico isoladamente. Ele funciona como ferramenta auxiliar, orientando decisões clínicas sobre necessidade de procedimentos invasivos.

Avanços e impactos

Segundo o biomédico Renato De Marco, o principal benefício é indicar quando a chance de rejeição é baixa o suficiente para evitar biópsias. Estudos internacionais sugerem ainda detecção de lesões meses antes de alterações clínicas.

No Brasil, a adoção está em fase inicial. Atualmente, o teste é realizado pelo Igen, ligado à Afip, com custo aproximado de R$ 900.

Recentemente, o Hospital do Rim e o Igen conduziram estudo com cerca de 400 pacientes transplantes, mostrando que ~80% das biópsias por suspeita de rejeição poderiam ter sido evitadas pelo uso do teste.

Outra linha de pesquisa ocorre no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), com foco em transplantados cardíacos, que costumam passar por 10 a 15 biópsias no primeiro ano. O objetivo é verificar a redução desses procedimentos no SUS.

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