- Dois estudos publicados na Nature: fungos que moram no intestino podem influenciar o risco de asma e doenças alérgicas em crianças.
- Primeiro estudo, do Hospital Infantil de BC, mostrou que o fungo Malassezia é mais comum em bebês que desenvolvem dermatite atópica.
- Segundo estudo, do Instituto Snyder para Doenças Crônicas e do Hospital Infantil de Alberta, indicou que uso de antibióticos em bebês pode favorecer Malassezia e levar a desregulação imunológica, elevando o risco de asma alérgica.
- Análise envolveu 2.256 amostras de 1.409 participantes no primeiro ano de vida, acompanhando até os 5 anos.
- Conclusão: o início da vida é uma janela crítica para o micobioma; os fungos podem ser alvo de terapias para prevenir desregulação imunológica e alergias pediátricas.
Dois estudos publicados na revista Nature: The Clinical Microbiome apontam que fungos no intestino infantil podem influenciar o risco de alergias e de asma. Pesquisadores investigaram a relação entre micobioma, antibióticos e doenças alérgicas na infância. O foco é entender como os fungos contribuem para a saúde das crianças.
Os trabalhos foram conduzidos por instituições canadenses: o Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de BC e o Instituto Snyder para Doenças Crônicas, ambos ligados à Universidade de Calgary. A pesquisa envolveu milhares de amostras coletadas ao longo do primeiro ano de vida.
Os estudos acompanharam crianças até os 5 anos e foram publicados nesta terça-feira, 23. A equipe pesquisou a relação entre o micobioma intestinal, dermatite atópica, alergias alimentares, rinite e asma na infância. A conclusão aponta sinais precoces de risco.
Fungos no início da vida
A investigação com 2.256 amostras de 1.409 bebês revelou que, aos 3 meses, não havia diferenças entre grupos. Contudo, o micobioma infantil que evoluiu de forma menos madura no primeiro ano esteve associado a maior chance de alergias no futuro. O atraso parece indicar vulnerabilidade imune.
Os resultados sugerem que a maturação do conjunto de fungos no intestino pode servir como indicador precoce do risco de desenvolver alergias e potencialmente asma mais tarde. O estudo reforça a ideia de que o início da vida é uma janela crítica para o micobioma.
Pesquisadores ressaltam que, em vez de se concentar apenas em bactérias, é relevante entender o papel dos fungos no desenvolvimento imunológico de crianças. O objetivo é ampliar caminhos para prevenir doenças alérgicas desde a infância.
Impacto dos antibióticos
O segundo estudo avaliou bebês com menos de 6 meses expostos a antibióticos. O tratamento alterou o equilíbrio microbiano, favorecendo o crescimento de fungos do gênero Malassezia. Esse aumento foi associado à desregulação imunológica e ao maior risco de alergias.
Experimentos em camundongos indicaram que a presença de Malassezia pode aumentar a resposta inflamatória no intestino e nas vias respiratórias, contribuindo para alergias. A pesquisa sugere que desequilíbrios do micobioma podem facilitar a marcha atópica.
Especialistas destacam que antibióticos são importantes quando necessários, mas seu impacto no micobioma pode incluir o estímulo ao crescimento de fungos. Pesquisas futuras devem buscar estratégias seguras para promover o desenvolvimento saudável do micobioma infantil.
Perspectivas e continuidade
Os autores ressaltam que a infância representa uma fase decisiva para a formação do micobioma intestinal. As evidências apontam que fungos podem ser alvos de intervenções terapêuticas com potencial de prevenir desregulação imunológica e doenças alérgicas pediátricas.
A pesquisadora Marie-Claire Arrieta comenta que o efeito de antibióticos sobre o micobioma é relevante, pois favorece Malassezia e impacta a função imune. As obras destacam a necessidade de explorar abordagens que promovam maturação adequada do micobioma infantil.
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