- Estudo aponta que o vírus H5N1 se concentra nos úberes de vacas leiteiras, ao contrário do que ocorre em pulmões em outras espécies.
- Os receptores celulares usados pelo vírus estão especialmente presentes nas células envolvidas na produção e secreção de leite.
- O padrão de infecção nos úberes explica a relação com mastite e alterações na qualidade ou produção do leite.
- A descoberta pode orientar vigilância em rebanhos leiteiros, com coleta de leite e tecido mamário para detecção mais eficaz.
- Futuras pesquisas devem mapear receptores em outras espécies e aprimorar diagnósticos e estratégias de prevenção em propriedades leiteiras.
Cientistas que estudam a gripe aviária identificaram por que o vírus H5N1 se concentra nos úberes de vacas leiteiras, diferente do que ocorre em aves. O achado, divulgado pelo ScienceDaily com base em pesquisa da University of Pittsburgh, aponta padrões de infecção ligados à biologia do tecido mamário. A conclusão ajuda a entender adaptação do vírus entre espécies e orientar vigilância sanitária.
O estudo mapeou receptores celulares no tecido mamário das vacas, considerados portas de entrada para o H5N1. Foi constatada alta concentração desses receptores nas células produtoras de leite. Em pulmões, a presença é menor, o que explica o predomínio da infecção nas glândulas mamárias em bovinos.
Em fazendas, surtos em vacas leiteiras costumam acompanhar mastite e alterações na qualidade do leite, associadas a processos inflamatórios mamários. Pesquisadores cruzaram dados de laboratório com relatos clínicos, confirmando o vínculo entre distribuição dos receptores e o quadro clínico observado no campo.
A descoberta oferece um viés para a vigilância em rebanhos leiteiros. Sinais como queda na produção, alterações na aparência do leite e mastites incomuns ganham relevância para investigações de influenza aviária. Direcionar amostras para leite e tecido mamário pode acelerar a detecção.
Além disso, o estudo destaca a importância de monitorar tecidos com alta suscetibilidade em diferentes espécies. Em outras espécies, o vírus costuma atacar pulmões; em vacas, o foco é o úbere, indicando caminhos distintos de adaptação do H5N1.
Próximos passos sugeridos pelos autores incluem ampliar o mapeamento de receptores em mais espécies e tecidos, aprimorar protocolos de vigilância em propriedades leiteiras e desenvolver diagnósticos mais sensíveis para leite e secreções. Essas ações visam reduzir o tempo entre entrada do vírus e confirmação laboratorial.
O trabalho reforça ainda a necessidade de estratégias de prevenção que considerem tecidos vulneráveis. Pesquisas futuras visam avaliar raças bovinas, sistemas de manejo e potenciais intervenções para bloquear a interação do vírus com as células mamárias.
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