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Tietê carrega microplásticos, agrotóxicos e resíduos de medicamentos

Estudo mostra contaminação do Tietê do nascimento à foz: microplásticos, agrotóxicos e resíduos de medicamentos em toda a extensão

DESAFIO - O Rio Tietê: símbolo dos problemas de saneamento de São Paulo
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  • Estudo com 14 pontos ao longo de mais de 1.100 quilômetros do Tietê aponta contaminação desde a nascente, em Salesópolis, até a foz, em Itapura, incluindo microplásticos, agrotóxicos, metais, resíduos de medicamentos e metabólitos de drogas.
  • Microplásticos foram encontrados em todos os locais, com maiores níveis em áreas urbanizadas e em reservatórios.
  • Foram identificados 25 tipos de agrotóxicos entre 46 compostos analisados, destacando a atrazina, comum em cana-de-açúcar e milho.
  • Resíduos de fármacos e substâncias humanas, como diclofenaco, carbamazepina, losartana, cafeína, cocaína e benzoilecgonina, também foram detectados ao longo do rio.
  • Hemogramas de oxigênio dissolvido baixos e teores de cobre acima dos limites ocorreram especialmente nas regiões urbanizadas, apontando recuperação parcial e a necessidade de monitoramento ampliado.

O rio Tietê apresenta contaminação ao longo de todo o seu percurso, desde a nascente em Salesópolis, na região metropolitana de São Paulo, até a foz no rio Paraná em Itapura, no interior do estado. O quadro foi revelado por um estudo que avaliou a qualidade da água em 14 pontos ao longo de mais de 1.100 quilômetros.

Pesquisadores de quatro universidades paulistas e da Fundação SOS Mata Atlântica identificaram uma mistura de poluentes. Entre eles estão microplásticos, agrotóxicos, metais pesados, resíduos de medicamentos e compostos associados ao consumo de drogas ilícitas. A análise mostra que a poluição não se restringe ao trecho urbano.

Os locais com maior concentração de microplásticos foram áreas urbanas e reservatórios, onde as partículas se acumulam. As fibras sintéticas são associadas à lavagem de roupas e ao descarte de resíduos. A presença é consistente em todo o trajeto, conforme o levantamento.

Agrotóxicos atingem o interior

Entre os 46 compostos avaliados, 25 tipos de agrotóxicos foram detectados, com maior frequência no Médio e Baixo Tietê, regiões com intensa atividade agrícola. Entre os compostos está a atrazina, herbicida ainda autorizado no Brasil, apesar de restrições em outros países.

A detecção de agroquímicos reforça preocupações sobre o transporte de resíduos agrícolas para rios e reservatórios por escoamento superficial de águas de chuva, de acordo com os pesquisadores.

Impacto de resíduos humanos e metais

Resíduos de medicamentos, como diclofenaco, carbamazepina e losartana, foram encontrados ao longo de todo o trajeto. Também foram detectados cocaína e benzoilecgonina, além de cafeína presente em todos os pontos, indicador de esgoto doméstico não completamente trat do sistema público.

Concentracões de cobre acima dos limites legais foram observadas em todos os pontos monitorados. Em trechos urbanos houve oxigênio dissolvido muito baixo, condição que compromete a sobrevivência de peixes e de outros organismos aquáticos.

Recuperação parcial não encerra contaminação

Apesar de melhorias em alguns trechos interiores, a oxigenação aumenta com a distância da área metropolitana, mas contaminantes químicos permanecem. A equipe aponta a necessidade de ampliar o monitoramento para além de parâmetros tradicionais.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Unifesp, UFABC, Cena-USP, USCS e pela Fundação SOS Mata Atlântica. A conclusão aponta para a continuidade do desafio de manejo hídrico da bacia do Tietê.

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