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Vida selvagem regula clima e entra em discussões de políticas públicas

Animais impulsionam o armazenamento de carbono e a resiliência de ecossistemas; políticas climáticas devem incorporar seu papel

Bison affect plant growth, nutrient cycling, and fire dynamics through their grazing. Image courtesy of Wildlife Conservation Society.
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  • Animais selvagens ajudam a registar e armazenar carbono em ecossistemas, contribuindo para o clima, não apenas sendo vítimas das mudanças climáticas.
  • Um consenso científico, com mais de trezentos especialistas, diz que políticas climáticas devem considerar a fauna e seus papéis ecológicos.
  • Estima-se que proteger e restaurar populações animais pode elevar a captação de CO₂ em até 6,41 gigatoneladas por ano.
  • Em florestas, elefantes espalham sementes; em savanas, bisões afetam o crescimento de plantas e a ciclagem de nutrientes; animais que cavam mudam oxigênio e nutrientes no solo.
  • Nos oceanos, zooplâncton e peixes movem carbono para as profundezas, por meio da bomba de carbono biológica, incluindo a migração diel vertical.

A relação entre fauna silvestre e clima precisa ser considerada nas políticas públicas. Uma nova posição científica sustenta que animais ajudam a regular o clima ao influenciar o armazenamento de carbono e a recuperação de ecossistemas. A mensagem é simples: planos climáticos devem incluir o papel dos animais.

O consenso científico sobre fauna e clima já tem apoio de mais de 300 especialistas globais. A ideia central é que sistemas naturais são incompletos sem as espécies que ajudam seu funcionamento. Contribui para reduzir erros em avaliações climáticas e em soluções baseadas na natureza.

Pesquisas indicam que proteger e restaurar populações de animais pode aumentar a captação de CO2. Estima-se que até 6,41 gigatoneladas de carbono por ano a mais poderiam ser absorvidas, dependendo do ecossistema envolvido.

Em florestas, animais como elefantes distribuem sementes e influenciam onde as árvores crescem. Em pradarias, bisões afetam crescimento, ciclos de nutrientes e dinâmica de combustíveis. Em solos, animais cavadores mudam oxigênio e disponibilidade de nutrientes.

No oceano, o maior reservatório de carbono, organismos marinhos atuam como agentes de resiliência. Eles movem carbono e constroem habitats, integrando redes alimentares extensas. Pesquisadores destinam esforços para quantificar o peso de zooplâncton e peixes no bombeamento biológico de carbono.

Entre os processos, destaca-se a migração vertical diurna, quando organismos sobem e descem entre 200 e 1.000 metros de profundidade. Ao se deslocarem, transportam carbono para as zonas profundas, armazenando-o por décadas a milênios.

Beavers são citados como engenheiros ecológicos capazes de transformar trechos de rio em eixos de carbono de longo prazo. Esses impactos ajudam a entender como a fauna pode sustentar a função dos ecossistemas, mesmo com mudanças climáticas.

A mensagem mais ampla é que medidas de mitigação, restauração e proteção da fauna devem andar juntas. Ecossistemas saudáveis são mais resilientes, armazenam carbono e mantêm funções essenciais sob condições variáveis.

Para formuladores de políticas, a ideia é prática: políticas climáticas, planos de conservação, modelos de ecossistemas ou soluções baseadas na natureza devem incorporar a fauna e seus papéis ecológicos. Não se trata apenas de proteger animais, mas de tornar as estratégias mais precisas.

A visão apresentada foi articulada por Jérôme Pinti, cientista sênior do Gulf of Maine Research Institute, que participou da equipe redatora da Wildlife and Climate Consensus. O documento permanece aberto a novos signatários.

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