- Uma espécie de aranha descoberta no norte da Austrália usa uma teia em forma de armadilha tensionada para lançar formigas-verdes pelo ar antes de capturá-las.
- O comportamento foi registrado pela primeira vez em 2022 e detalhado em estudo publicado na revista Current Biology, pelos pesquisadores Ajay Narendra e Pranav Joshi.
- A armadilha é uma estrutura cônica de fios de seda altamente tensionados entre a teia principal e o solo ou galhos, que libera energia para projetar a formiga até quase 30 centímetros de distância.
- As formigas atingem velocidades de até 4,4 metros por segundo e sofrem acelerações de cerca de 140 vezes a gravidade durante o lançamento.
- Os cientistas afirmam que a armadilha tem desempenho energético excepcional entre catapultas biológicas baseadas em seda, ajudando a aranha a capturar presas agressivas sem alertar toda a colônia.
Uma aranha capaz de lançar presas entrou para o repertório de estratégias predatórias na Australian tropics. A espécie, apelidada de aranha-balista, foi descrita em estudo publicado na Current Biology.
A descoberta ocorreu nas florestas do norte da Austrália, com foco na Península do Cabo York, em Queensland. A equipe de pesquisa acompanhou a aranha entre 2022 e 2023 para registrar o comportamento.
O trabalho envolveu dois biólogos, Ajay Narendra e Pranav Joshi, da Universidade Macquarie, que usaram câmeras de alta velocidade para documentar a caçada noturna. As observações levaram à descrição da técnica.
Detalhes da armadilha
Durante a noite, a aranha constrói uma armadilha de seda tensionada entre a teia principal e um ponto de ancoragem, no solo ou em galhos. A armadilha atrai formigas-verdes-das-árvores por substâncias químicas liberadas pela estrutura.
Ao morder a armadilha, a formiga fica presa aos fios. Em milissegundos, a tensão é liberada, lançando o inseto quase 30 cm para cima, direto na teia onde a aranha o captura.
As formigas atingem velocidades de até 4,4 m/s e experimentam acelerações próximas a 140 vezes a gravidade. A energia armazenada pela armadilha supera a de catapultas biológicas conhecidas baseadas em seda.
Contexto científico
Pesquisadores afirmam que a técnica representa a armadilha de seda com maior eficiência energética já descrita. A estratégia evoluiu para explorar a abundância anual e a agressividade das formigas-verdes, capturando presas isoladas sem alertar a colônia.
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