- Um estudo da Universidade Curtin aponta que a cratera North Pole Dome, em Pilbara, Austrália Ocidental, tem cerca de 3,02 bilhões de anos, tornando-a a mais antiga cratera de impacto conhecida na Terra.
- A conclusão veio da análise de minerais, principalmente zircão e apatita, que registraram recristalização e formação devido ao impacto.
- Técnicas de datação avançadas, incluindo Microssonda Iônica de Alta Resolução, determinaram idades dos zircões entre 3,4 e 3 bilhões de anos, com média de 3,02 bilhões.
- A pesquisa sustenta que North Pole Dome é o único exemplo reconhecido do éon Arqueano e supera a Cratera de Yarrabubba (2,2 bilhões de anos) como mais antiga registrada.
- Cientistas contrários, como o geólogo Aaron Cavosie, contestam a metodologia de datação e pedem cautela, enquanto Kirkland defende que os dois relógios minerais apontam a mesma idade.
Em estudo divulgado nesta terça-feira 23, pesquisadores da Universidade de Curtin apresentam as estimativas mais precisas até hoje sobre a idade da cratera North Pole Dome, na região de Pilbara, oeste da Austrália. A estrutura fica em uma elevação de cerca de 40 km e testemunha o choque de um meteorito ocorrido há mais de 3 bilhões de anos. Trata-se do possível impacto mais antigo registrado na Terra.
O grupo é liderado pelo geólogo Chris Kirkland. Os resultados destacam que os fragmentos de rocha analisados revelam vestígios de um evento violento que moldou a superfície terrestre antiga. A datação aponta 3,02 bilhões de anos, situando o impacto no início da era mesoarqueana.
O estudo, publicado no periódico Geology, utiliza técnicas de datação de minerais em zircões e apatitas formados ou recristalizados nas rochas danificadas. Os autores afirmam que o “relógio mineral” permite determinar o momento exato do evento. A pesquisa reforça a importância de evidências diretas para datar impactos antigos.
Dados e método
Análises de zircão, em cones de estilhaçamento formados pela onda de choque, indicam idades entre 3,4 e 3,0 bilhões de anos, com média próxima a 3,02 bilhões. A apatita, presente nas fissuras das rochas aquecidas, apresentaria idade compatível com a dos zircões, fortalecendo a conclusão.
A equipe também empregou uma Microssonda Iônica de Alta Resolução para aferir as idades dos grãos. Segundo Kirkland, esse método fornece dados diretos das rochas impactadas, o que sustenta a datação simultânea de minerais diferentes. O estudo afirma que as evidências corroboram a hipótese de um impacto arcaico.
Controvérsias e respostas
Críticos de trabalhos anteriores questionaram a datação inicial, que estimava cerca de 3,5 bilhões de anos, com base na correlação entre camadas rochosas. Um debate recente sugeriu que o impacto poderia ter ocorrido apenas por volta de 2,7 bilhões de anos.
Kirkland sustenta que a nova datação é mais robusta por incluir duas linhas de evidência mineral diretamente obtidas das rochas afetadas, reduzindo dependência de correlações indiretas. Acadêmico de Harvard, Alec Brenner, também aponta que dados hidrotérmicos podem não estar diretamente associados ao impacto, mantendo o ceticismo sobre uma conexão inequívoca entre fluxo de fluidos e o evento.
Kirkland acrescenta que as alterações minerais observadas são compatíveis com processos gerados por impactos, e não apenas por atividades hidrotermais. Ainda assim, a comunidade científica permanece atenta à necessidade de validação adicional por meio de novas amostragens e análises independentes para consolidar a datação apresentada.
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