- Estudo conjunto da Wildlife Conservation Society e da Macquarie University sugere que um terço dos recifes de coral pode resistir aos impactos das mudanças climáticas até 2050, segundo dados ainda não revisados publicamente.
- Pesquisadores combinaram mais de 45.000 observações de recifes de 1960 a 2025 com 42 fatores ambientais e de pressão humana para treinar uma IA que prevê o futuro dos recifes sob altas emissões de gases do efeito estufa.
- O mapeamento abrange 552.969 quilômetros quadrados de recifes; cerca de 165.922 quilômetros quadrados poderiam ser climaticamente resilientes, distribuídos em 71 países, com maior concentração nas Bahamas, Cuba, Australia, Indonésia e Filipinas.
- Países africanos como Quênia, Moçambique e Tanzânia também apresentam parcelas significativas de recifes que parecem resilientes ao clima, segundo os autores.
- A pesquisa aponta limitação pela ausência de dados de referência em algumas regiões, especialmente na África Ocidental, o que dificultou previsões naquela área.
Dois terços dos recifes de coral globais podem resistir aos impactos das mudanças climáticas até 2050, aponta estudo conjunto da Wildlife Conservation Society (WCS) e pesquisadores da Macquarie University, na Austrália. As conclusões, ainda não revisadas por pares, foram apresentadas em 16 de junho durante a Our Ocean Conference, em Mombasa, na Kênia.
A partir de mais de 45 mil observações de recifes coletadas entre 1960 e 2025, os pesquisadores associaram 42 fatores ambientais e de pressão humana, como temperatura, estresse por calor, ciclones, pressão de pesca e conectividade. Uma inteligência artificial foi treinada com esses dados para prever o estado dos recifes em 2050 sob cenário de emissões altas.
Mapa de recifes resilientes
O modelo encontrou 552.969 km² de extensão de recifes, dos quais cerca de 165.922 km² seriam climáticamente resilientes, capazes de manter comunidades de corais saudáveis diante das mudanças climáticas. Esses recifes estão distribuídos em 71 países, com a maior concentração em Bahamas, Cuba, Austrália, Indonésia e Filipinas.
Segundo o pesquisador Joseph Maina, alguns países africanos, como Quênia, Moçambique e Tanzânia, também abrigam proporções significativas de recifes resilientes. Contudo, a falta de dados de linha de base em algumas regiões limitou as previsões para áreas específicas, como a África Ocidental.
Implicações para comunidades costeiras
Recifes de coral são ecossistemas críticos para a fauna marinha e para a alimentação de comunidades costeiras. Estima-se que até 25% de todas as espécies marinhas dependam deles para habitat ou alimento. A perda desses recifes pode impactar a biodiversidade e a segurança alimentar de comunidades locais.
Maina destaca que os resultados podem orientar políticas públicas e estratégias de conservação, ajudando a cumprir compromissos ambientais e a manter serviços ecossistêmicos essenciais às comunidades costeiras. O estudo enfatiza, porém, a necessidade de ampliar dados de base em regiões menos monitoradas para aprimorar as projeções.
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